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ECONOMIA

Ações da Suzano sustentam desempenho superior ao mercado brasileiro em Nova York

Exportadora de celulose atua com receita em dólar e sofre impacto menor que bancos e estatais no pré-market norte-americano após eleições.

26/10/2026 19:45

Os papéis da Suzano negociados nos Estados Unidos registraram variação substancialmente inferior à das demais empresas brasileiras listadas no mercado norte-americano na manhã desta segunda-feira (26). A reação ocorreu durante o pré-market em Nova York, impulsionada pelos desdobramentos do resultado da eleição presidencial no Brasil.

Enquanto ativos de setores como bancário, petrolífero e financeiro registraram quedas de dois dígitos, os Recibos de Depósito Americanos (ADRs) da maior produtora mundial de celulose de eucalipto chegaram a valorizar 2,89% no início dos negócios, cotados a US$ 8,89. Às 9h30, os papéis inverteram a tendência e passavam a operar em queda de 0,46%.

O recuo moderado contrastou com a desvalorização acentuada observada em outros ativos do país. O EWZ, principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras negociado em Nova York, recuou 27,33%. No mesmo horário, os papéis do Itaú registravam queda de 27,61%, enquanto as ações da Petrobras perdiam 19,61%.

A assimetria no desempenho das ações é explicada, em parte, pela estrutura financeira e operacional da Suzano. A empresa comercializa a maior parcela de sua produção no mercado externo e aufere receitas em moeda americana, enquanto mantém parcela significativa de seus custos operacionais cotada em reais. Em cenários de desvalorização do real frente ao dólar, a dinâmica cambial tende a favorecer as margens operacionais da companhia.

No segundo trimestre deste ano, 80% da receita total de R$ 11,6 bilhões da empresa teve origem nas exportações. Entre abril e junho, a Suzano comercializou 2,9 milhões de toneladas de celulose no exterior, com preço médio de US$ 601 por tonelada — marca que representou alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A dependência reduzida em relação ao mercado consumidor doméstico também contribui para o comportamento do ativo. Os resultados financeiros da fabricante são guiados precipuamente pela demanda de mercados internacionais, como a China, e pelas cotações globais das commodities.

Contudo, o mercado global de celulose enfrenta oscilações. Dados da consultoria Pulp and Paper Products Council (PPPC) apontam que a demanda mundial pelo insumo encolheu 3,9% no primeiro trimestre de 2026.

Paralelamente ao mercado de commodities, a empresa vem diversificando sua atuação internacional no setor de bens de consumo. Em julho, a Suzano concluiu a aquisição de 51% da Arbex, operação global de papéis sanitários estruturada em parceria com a americana Kimberly-Clark, pelo valor de US$ 1,3 bilhão. A transação envolveu 22 unidades fabris distribuídas em 14 mercados, reduzindo a exposição direta da companhia às oscilações de preço da celulose de mercado.

Apesar da proteção cambial sobre as receitas, a Suzano possui endividamento em moeda estrangeira, o que gera impactos contábeis no balanço corporativo em períodos de volatilidade no câmbio. No segundo trimestre, o Ebitda ajustado da empresa registrou queda de 23%, somando R$ 4,7 bilhões, enquanto o lucro líquido apresentou recuo de 64%, encerrando o período em R$ 1,8 bilhão.

Por Redação Notícia10

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