Uma das novidades trazidas pelo festival Lollapalooza em 2015 atende pelo nome de Far From Alaska, que em português quer dizer “longe do Alasca”. Apesar de ter letras em inglês e um som tipicamente gringo, o grupo realmente não podia estar mais distante do gelado Estado norte-americano. Natal, no Rio Grande do Norte, é o berço do quinteto, que tem como particularidades um começo “atropelado”, um estilo único de misturar pop, metal e música eletrônica e o fato de sua dupla de vocalistas ter crescido musicalmente dentro de igrejas.
O Far From Alaska é uma banda nascida de forma descompromissada. O acaso e o objetivo de fazer música com personalidade e sem forçar qualquer barra, com os cinco integrantes batendo cabeça até todos estarem satisfeitos com os resultados, são o segredo de uma trajetória que começou há apenas três anos. Foi uma rápida ascensão, até a convocação para o Lollapalooza 2015, divulgando o álbum de estreia, “modeHuman”, lançado em maio de 2014.
Apesar de apenas dois integrantes serem de Natal, foi a cena potiguar que criou o grupo. Todos os músicos tinham outros projetos na cidade, até que a ideia de criar uma banda para que a então baterista Emmily Barreto cantasse, junto à multi-instrumentista Cris Botarelli-ambas à época do grupo Talma & Gadelha-, formaram o embrião do Far From Alaska.
Uma curiosidade é que ambas são crias de “lares cristãos” – elas evitam usar o termo “evangélico” para evitar preconceito. “Hoje, o termo é mais associado aos ‘fundamentalistas religiosos’ do que ao que realmente é. Mas é verdade, somos cristãs. A Emmily deixou de ir um pouco, mas aprendeu a tocar lá. E eu nunca deixei de ir, até poucos meses atrás ainda tocava guitarra lá. Gostava”, explica Cris Botarelli, que passou a tocar sintetizadores, steel guitar e dividir parte dos vocais com Emmily.
O que se desenvolveu depois pouco tem a ver com este passado. Com a entrada de Rafael Brasil na guitarra, Edu Filgueira no baixo e Lauro Kirsch na bateria, o grupo virou uma salada de influências. Das meninas fãs de pop aos marmanjos que curtem bandas mais pesadas, como Queens of the Stone Age e Mastodon, o grupo se fechou no estúdio para saber o que sairia da mistura de gostos.
“A gente se juntou para tocar sem saber o que ia sair”, conta Rafael Brasil. “Acho que o nosso som é assim pela liberdade. O Edu é do metal, eu piro em efeitos e pedais e tem o lance pop das meninas, que traz a melodia.”
Parece fácil, mas não é tanto. “Todo o mundo toca outros instrumentos, então é muito pitaco de todo lado. Mas, pela premissa de ser livre, conseguimos fazer o que é melhor para a música”, acrescenta o guitarrista. Cris resume as brigas, debates e concessões entre as quatro paredes do estúdio: “É muito doido!”.



