Em um novo trabalho, publicado no periódico JAMA Pediatrics, pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, avaliaram dados de 29 estudos (um processo chamado de metanálise) com crianças e adolescentes em diversos países e chegaram a alguns números alarmantes: um em cada quatro sofre de depressão, enquanto um em cada cinco está lutando contra a ansiedade.
Os dados indicam que os sintomas relacionados às doenças dobraram entre indivíduos desses grupos em comparação com tempos pré-pandemia. E evidenciam ainda que eles parecem estar piorando com o tempo. “Estar socialmente isolado, mantido longe dos amigos, da rotina escolar e das interações sociais está se provando muito difícil para as crianças”, disse Sheri Madigan, psicóloga clínica da universidade e co-autora do trabalho, em um texto publicado no site da instituição.
“Quando a covid-19 começou, a maioria das pessoas pensou que seria difícil no início mas que ia melhorar com o tempo e as crianças se ajustariam ao voltar para a escola”, explicou. “Mas quando a pandemia seguiu, os jovens perderam muitos marcos importantes em suas vidas. A situação seguiu por mais de um ano e, para jovens, esse é grande período de tempo em suas vidas”, disse.
Os pesquisadores da Universidade de Calgary reuniram informações de 29 estudos diferentes feitos com crianças e adolescentes -um processo conhecido como metanálise; Os estudos analisados vieram do Leste Asiático (16); Europa (4), América do Norte (6) América Central (2), América do Sul (1, do Brasil) e Oriente Médio (1); No total, foram analisadas informações referentes a mais de 80 mil jovens, globalmente; A análise mostrou que um em cada quatro sofre de depressão, enquanto um em cada cinco está lutando contra a ansiedade; O estudo afirma também que adolescentes mais velhos e garotas são os que experimentaram níveis mais altos de depressão e ansiedade.
Os dados são relevantes pois, à medida que a população mundial for vacinada e as escolas —e outros espaços públicos —voltarem à rotina, precisamos entender se essas crianças e adolescentes conseguirão se recuperar desse trauma e qual a profundidade do impacto da pandemia na saúde mental deles.
Noticia10/ JAMA Pediatrics



