O mercado brasileiro registrou um crescimento superior a 400% na produção de cerveja sem glúten, conforme o Anuário da Cerveja 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A categoria é uma das que mais se expandem dentro do setor, impulsionada pela busca por produtos diferenciados e pela atenção às dietas restritivas.
A produção de cerveja sem álcool também apresentou alta expressiva. Apenas entre 2023 e 2024, a categoria cresceu 536%, saltando de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros, o que posicionou o Brasil como o segundo maior mercado do mundo nesse segmento, atrás apenas da Alemanha. Para 2026, a estimativa é que o consumo de cerveja sem álcool atinja 885 milhões de litros no país, volume quase sete vezes superior ao registrado em 2019.
Segundo a analista do Sebrae Minas, Cecília Morais, a procura por cervejas sem glúten, sem álcool ou com baixo teor alcoólico reflete um movimento em favor da saudabilidade e do bem-estar que vai além do público com restrições alimentares, como os celíacos. A especialista avalia que a diversificação do portfólio, com foco na experiência sensorial, tornou-se um diferencial competitivo para as pequenas cervejarias.
Casos do mercado ilustram essa tendência. A cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista (SP), lançou versões de IPA sem glúten e sem álcool em 2019. A sócia-fundadora, Luiza Lugli Tolosa, destacou que o processo exige cuidados específicos e o uso de enzimas especiais, e que o aumento das vendas tem sido impulsionado por hábitos de consumo mais saudáveis. Em Porto Alegre, a cervejaria Alcapone lançou a primeira IPA sem glúten do país em 2017, seguida por outros rótulos. O sócio Andrews Calcagnotto afirmou que a empresa aposta na inovação e na qualidade, em vez de disputar mercado por preços mais baixos.
O Anuário da Cerveja 2026 também mostra que o Brasil atingiu o recorde de 1.954 cervejarias registradas, com crescimento de apenas 0,3% em relação a 2024, indicando uma desaceleração na abertura de novas unidades. São Paulo lidera o número de cervejarias, com 452 estabelecimentos, enquanto o Rio Grande do Sul registrou o maior número de encerramentos no período.
O número total de cervejas registradas no país chegou a 44.212, um aumento de 2,4% em relação ao ano anterior. No comércio exterior, o setor também alcançou resultados históricos, com US$ 218,3 milhões em exportações e superávit de US$ 195 milhões na balança comercial. A cerveja brasileira chegou a 77 países, reforçando sua presença no mercado internacional.
O Sebrae atua no setor por meio de programas como o Prepara Cervejas Artesanais, que realiza diagnósticos e oferece consultorias para orientar micro e pequenas empresas na criação de produtos voltados às novas demandas do mercado. Segundo Cecília Morais, a iniciativa busca transformar tendências de consumo em oportunidades de negócio. A cadeia cervejeira gera mais de 2,5 milhões de empregos e responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Por Redação Notícia10