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Economia - 4 horas ago

Agronegócio capixaba gera R$ 4,6 bilhões em exportações e reduz dependência histórica do café

Pimenta-do-reino atinge participação inédita de 17,5% no faturamento do setor e amortece queda no volume de celulose.

As exportações do agronegócio do Espírito Santo movimentaram R$ 4,6 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, comercializando produtos para 110 países. Os dados, compilados pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam uma mudança estrutural na balança comercial camponesa. Embora o café permaneça como a principal força econômica do setor, a ascensão da pimenta-do-reino e a abertura de mercados no Oriente Médio indicam uma diversificação da pauta produtiva. A estratégia alivia a vulnerabilidade dos pequenos produtores capixabas frente às oscilações de preços internacionais.

O balanço financeiro do período aponta que três grupos de produtos concentraram 95,4% de todo o valor exportado pelo agronegócio capixaba. O complexo café liderou as transações ao movimentar US$ 464 milhões, o que equivale a 51,1% do faturamento total do setor. A celulose apareceu na segunda posição, com US$ 243 milhões arrecadados e fatia de 26,8%, seguida pela pimenta-do-reino, que gerou US$ 158,8 milhões e consolidou uma participação inédita de 17,5% na receita global do comércio exterior agrícola.

A expansão da pimenta-do-reino surge em um momento de retração nos volumes embarcados das duas principais commodities capixabas. Entre janeiro e abril de 2026, houve recuo no volume exportado do complexo café (-1,3%) e, de forma mais acentuada, no segmento de celulose (-10,7%). A alta de 17,4% no valor e de 15,8% no volume da pimenta-do-reino em relação ao primeiro quadrimestre de 2025 funcionou como um amortecedor econômico, impedindo uma queda generalizada nas divisas do estado.

Os Estados Unidos mantêm-se como o principal destino dos produtos capixabas, absorvendo US$ 189,1 milhões (20,8% do total), seguidos pela Turquia, com US$ 67,9 milhões (7,5%), e pela Colômbia, com US$ 54,7 milhões (6%). Essa forte dependência de poucos mercados centrais historicamente expõe a economia agrícola local a crises geopolíticas e políticas tarifárias externas, penalizando as famílias que vivem da agricultura familiar no interior.

A tentativa de descentralização geográfica comercial registrou avanços no Oriente Médio, para onde os embarques somaram US$ 56,87 milhões de janeiro a abril, um crescimento de 12,3% comparado ao mesmo intervalo do ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo café, que faturou US$ 40,46 milhões (alta de 59,3%) e enviou 6,88 milhões de quilos para a região (alta de 50,1% em volume). Em contrapartida, a pimenta-do-reino recuou 8,6% em receita (US$ 16,26 milhões) e 11,5% em volume (2,74 milhões de quilos) para o bloco árabe, evidenciando as oscilações específicas de cada mercado consumidor.

O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, analisou a nova composição das forças produtivas no campo: “O café continua sendo a principal força da pauta, mas a pimenta-do-reino vem ganhando espaço de forma consistente e já responde por uma fatia inédita das exportações do setor. O Espírito Santo está ampliando sua capacidade de gerar divisas com cadeias diversas. Para o Estado, esse é um sinal positivo, porque reduz dependências do café, abre novas oportunidades comerciais e fortalece a renda no campo.”

Ao avaliar o comportamento das vendas para o mercado asiático e árabe, o secretário destacou a resiliência das exportações diante das tensões internacionais: “Mesmo em um cenário de conflitos, o Oriente Médio ampliou as compras do agro capixaba, com crescimento de 12,3% em divisas no período. O café puxou esse avanço, enquanto a pimenta-do-reino teve recuo nesse mercado específico, embora siga crescendo na média geral das exportações do Estado. Cada mercado responde de forma diferente, por isso é importante diversificar destinos e produtos para reduzir riscos e aproveitar oportunidades.”

A Gerência de Dados e Análises da Seag prevê a continuidade do acompanhamento das safras de gengibre, mamão, pimenta e derivados de cacau para avaliar se a tendência de desconcentração do café se sustentará nos próximos trimestres. As cooperativas agrícolas aguardam a estabilização das rotas marítimas para consolidar os novos contratos firmados com os compradores do Oriente Médio, enquanto os produtores locais monitoram o impacto do clima sobre o volume de colheita previsto para o segundo semestre de 2026.
Por Redação Notícia10

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