
Custo e sobrecarga de tempo impedem brasileiros de manter dieta saudável
Estudo revela que 25,7% da população enfrenta insegurança alimentar enquanto ultraprocessados ganham espaço pela praticidade e preço baixo.
Embora a população brasileira demonstre ter consciência sobre o que constitui uma dieta nutritiva, barreiras estruturais como a falta de tempo, o cansaço e o alto custo dos alimentos impedem a consolidação de bons hábitos. É o que aponta o estudo “Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável”, idealizado pelo Pacto Contra a Fome. Conduzido pelo Instituto Pensi com 142 pessoas em cinco capitais brasileiras entre setembro e novembro de 2025, o levantamento revela um descompasso crítico: a alimentação saudável é percebida como um sacrifício ou obrigação, enquanto produtos ultraprocessados e fast food são associados à recompensa emocional e viabilidade financeira.
A pesquisa identifica que o acesso à informação não é mais o principal gargalo da nutrição no Brasil. A maioria dos entrevistados reconhece que a base alimentar ideal deve ser composta por produtos in natura, como frutas e legumes. No entanto, a execução desse planejamento esbarra em uma rotina de trabalho exaustiva.
De acordo com Claudia König, pesquisadora do Instituto Pensi, existe uma “carga mental invisível” que recai sobre as famílias. O desafio não se restringe ao ato de cozinhar, mas abrange o planejamento, a escolha dos itens e a conciliação com rotinas sobrecarregadas. Esse cenário impulsiona o consumo de itens como empanados congelados e serviços de delivery, vistos como “indulgências” necessárias para dar conta do dia a dia.
O fator financeiro atua como um divisor de águas na qualidade nutricional. Enquanto as classes AB realizam cortes em itens de luxo, como azeites premium e iogurtes proteicos, as classes C e DE são forçadas a eliminar a base da pirâmide alimentar. Carnes bovinas, frutas e hortaliças são os primeiros itens a sair do carrinho quando o orçamento aperta.
O estudo dialoga com dados da PNAD Contínua de 2024, que indicam que 54,7 milhões de brasileiros vivem com algum grau de insegurança alimentar — o equivalente a 25,7% da população. “Quando o dinheiro está pouco, normalmente sai a salada”, relatou uma entrevistada de Belém (PA), evidenciando que a escolha pelo ultraprocessado muitas vezes é a única alternativa econômica viável.
A responsabilidade pela alimentação ainda possui face feminina. Segundo o levantamento, no qual 70% da amostra era composta por mulheres, elas são as principais gestoras das compras e do preparo, acumulando também o sentimento de culpa. “A pior alimentação tende a recair sobre as mulheres. A prioridade é garantir a comida dos filhos e, na correria, muitas acabam comendo o que sobra”, afirma Claudia König.
O foco no cuidado com a criança acaba por negligenciar a própria saúde da mulher, que opta por soluções rápidas e menos nutritivas no trajeto entre o trabalho e a casa. Para os pesquisadores, a solução para a crise alimentar brasileira exige medidas que transcendem a educação nutricional. As recomendações incluem:
• Regulação e Subsídios: Fomento a políticas que barateiem alimentos in natura e regulem a publicidade de ultraprocessados.
• Ambiente Escolar: Implementação de aulas de culinária para crianças como forma de influenciar o hábito familiar.
• Engajamento de Atores: Uso de redes sociais e criadores de conteúdo para disseminar soluções práticas e de baixo custo.
A conclusão do estudo reforça que a mudança de comportamento depende de um ambiente que torne a escolha saudável possível, e não apenas um ideal inalcançável diante da precariedade do tempo e da renda.
Por Redação Notícia10
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