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Institucional - 3 horas ago

Obras do Hospital Regional da Costa do Dendê avançam após superação de falhas no terreno

Complexo em Valença recebe aporte de R$ 154 milhões e adota estruturas pré-moldadas para acelerar cronograma.

A construção do Hospital e Maternidade Regional da Costa do Dendê atingiu 12% de execução no bairro da Jaqueira, em Valença, após o consórcio operante superar instabilidades geológicas e a presença de rochas no terreno. Financiada com um aporte de R$ 154 milhões provenientes do Novo PAC, a estrutura de duas edificações interligadas projeta a abertura de 255 novos leitos para a região do Baixo Sul da Bahia. A entrega da infraestrutura física está prevista para o primeiro semestre de 2027, com o objetivo de descentralizar o atendimento de alta complexidade.

A engenharia do projeto precisou ser adaptada devido às características do solo de Valença, composto por rochas densas em grande parte de sua extensão e camadas de baixa sustentação mecânica. Para contornar o atraso potencial na fase de fundação, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) autorizou a substituição da moldagem tradicional por uma superestrutura de sistema pré-moldado de concreto armado, que utiliza pilares, vigas e lajes alveolares fabricadas fora do canteiro.

O modelo jurídico adotado para a execução é o de licitação semi-integrada, cujo contrato e ordem de serviço foram assinados em julho de 2025. Sob esse regime, a construtora assumiu o desenvolvimento dos projetos básico e executivo. Durante os primeiros 60 dias de elaboração técnica, os operários realizaram os trabalhos preliminares de topografia, sondagem, limpeza do lote e fixação dos tapumes da área, que soma mais de 22 mil metros quadrados de área construída.

A consolidação do hospital impactará diretamente a dinâmica de deslocamentos de pacientes no interior baiano. Atualmente, a escassez de vagas de alta complexidade força moradores a percorrerem longas distâncias rumo à capital ou a grandes centros. O novo complexo absorverá essa demanda por meio de uma estrutura que contará com:
• Unidades de Crise: 45 leitos destinados a Unidades de Terapia Intensiva (UTI) divididos entre os segmentos adulto e neonatal, além de serviço de pronto-socorro para urgência e emergência.
• Bloco Cirúrgico: Centro cirúrgico regular e obstétrico equipado com 8 salas integradas.
• Rede de Diagnóstico: Setor de imagem com salas para exames de tomografia, radiografia, ultrassonografia e endoscopia.

Para além da assistência geral, a unidade abrigará uma maternidade de Porte II — classificação estatal atribuída a instalações de maior capacidade resolutiva —, estruturada com quartos PPP (Pré-parto, Parto e Pós-parto), Banco de Leite Humano e a Casa da Gestante, Bebê e Puérpera. A criação desse polo ataca um dos principais índices de desigualdade regional: a falta de assistência neonatal especializada, que vulnerabiliza famílias de baixa renda vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O engenheiro Alexandre Lima, da Conder, detalhou os desafios técnicos enfrentados pelas equipes na fase inicial da obra: “Temos rocha na maior parte da extensão deste terreno, além de outros materiais de suporte ruim. Isso dificultou a execução e por isso adotamos a solução de superestrutura em sistema pré-moldado de concreto armado, com pilares, vigas e lajes alveolares já pré-fabricadas.”

Por outro lado, o presidente da Conder, José Trindade, argumentou que o ritmo das atividades foi mantido apesar dos entraves meteorológicos registrados na Costa do Dendê: “O hospital e a maternidade serão unidades de referência para toda a região do Baixo Sul, ampliando a oferta de serviços de saúde e fortalecendo a assistência à população. Mesmo com os desafios impostos pelo período chuvoso, a Conder segue empenhada em garantir o avanço das obras com qualidade, responsabilidade e no menor tempo possível.”

Superadas as fases de sondagem e fundação, os operários iniciam o içamento e a montagem das peças de concreto pré-moldado que darão forma às paredes e pavimentos dos dois blocos interligados. A gestão estadual informou que o cronograma financeiro está assegurado pelas parcelas do Governo Federal, restando monitorar o impacto das frentes de chuva do litoral baiano sobre os trabalhos de acabamento previstos para o próximo ano.
Por Redação Notícia10

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