Home Cotidiano Economia Produção industrial da Bahia cresce 3,0% em janeiro após forte queda em dezembro
Economia - 16 de março de 2026

Produção industrial da Bahia cresce 3,0% em janeiro após forte queda em dezembro

Setor reage no comparativo mensal, mas registra declínio de 10,3% em relação ao ano anterior puxado pelo recuo no refino de petróleo.

A produção industrial da Bahia, que engloba os setores de transformação e extrativa mineral, registrou uma alta de 3,0% em janeiro de 2026 na comparação com o mês anterior, após ajuste sazonal. O resultado, divulgado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) com base em dados do IBGE, representa uma recuperação parcial após o recuo de 10,0% verificado em dezembro. Apesar da variação positiva mensal, o cenário de longo prazo ainda aponta retração: o setor declinou 10,3% em relação a janeiro do ano passado e acumula queda de 1,0% nos últimos 12 meses.

O desempenho da indústria baiana no início de 2026 reflete a volatilidade do setor, que encerrou o ano anterior com perdas acentuadas. A queda de 10,3% no confronto anual é explicada pelo desempenho negativo de nove das 11 atividades monitoradas pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM). O segmento de derivados de petróleo, pilar central da economia do estado, foi o principal responsável pela retração ao registrar queda de 19,2% na produção. Esse movimento foi impulsionado pela menor fabricação de combustíveis essenciais, como óleo diesel, gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo (GLP).

Os números sinalizam desafios estruturais para a economia baiana, especialmente pela forte dependência de setores que apresentaram quedas expressivas, como máquinas e materiais elétricos (-44,9%) e couros e calçados (-35,2%). A retração nessas áreas impacta a balança comercial do estado e o dinamismo do mercado de trabalho industrial. Em contrapartida, o setor de alimentos cresceu 8,1%, impulsionado pela fabricação de leite em pó, óleo de soja e derivados de cacau. O segmento de minerais não metálicos também avançou 3,1%, refletindo uma demanda aquecida por insumos voltados à construção civil.

A recuperação observada na margem (3,0%) sugere uma tentativa de estabilização das linhas de produção após o choque de dezembro, mas a indústria baiana segue operando abaixo do patamar de 2025. O comportamento dos preços internacionais do petróleo e a demanda interna por bens de consumo duráveis serão determinantes para os resultados dos próximos meses. Analistas observam se os avanços nos setores de alimentos e construção serão capazes de mitigar o peso negativo do setor de refino e da metalurgia (-6,7%) no índice geral da produção estadual ao longo do primeiro trimestre.

A indústria da Bahia inicia o ano com sinais mistos, marcados pelo crescimento mensal imediato e pela retração expressiva no comparativo anual de 10,3%. O balanço dos últimos 12 meses consolida uma trajetória de decrescimento de 1,0%, com o setor de petróleo mantendo-se como o principal freio para o índice geral de produção. Atividades ligadas ao consumo básico, como alimentação, e à infraestrutura permanecem como os únicos pontos de variação positiva no levantamento estatístico atual.
Por Redação Notícia10

Check Also

Prefeitura de Mucuri realiza evento de saúde ocupacional para trabalhadores de setores operacionais

A Prefeitura de Mucuri promoveu, na manhã desta terça-feira (28), o 4º Evento de Promoção …