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Economia - 4 horas ago

Bahia iniciou a construção da maior mina subterrânea de níquel da América Latina

Investimento de R$ 3,3 bilhões em Itagibá amplia vida útil da operação para 30 anos e foca em transição energética.

A Atlantic Nickel e a Appian Capital Brazil iniciaram, em março de 2026, as obras de transição para a lavra subterrânea na Mina Santa Rita, em Itagibá, no sul da Bahia. O projeto de R$ 3,3 bilhões (US$ 630 milhões) reverte a iminente exaustão das reservas a céu aberto e projeta elevar a produção anual de 19 mil para 30 mil toneladas de níquel. A iniciativa busca consolidar o estado na cadeia global de minerais críticos, essenciais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, enquanto tenta assegurar a estabilidade econômica de uma região dependente da atividade mineral.

A transição para o modelo underground ocorre em um momento decisivo para a economia local. A operação a céu aberto aproximava-se do fim de sua viabilidade técnica, o que ameaçava postos de trabalho e a arrecadação de municípios do entorno. Com o novo aporte, a vida útil da mina é estendida de 8 para mais de 30 anos, garantindo a manutenção da cadeia produtiva de fornecedores e serviços que orbitam a unidade.

O projeto também atraiu o interesse de organismos internacionais, com a possibilidade de um aporte adicional de US$ 50 milhões do Banco Mundial voltado ao desenvolvimento de minerais estratégicos. Essa movimentação financeira sinaliza a pressão global por fontes de níquel que atendam aos critérios de sustentabilidade exigidos pelo mercado de tecnologia verde.

A abertura oficial do Portal Sul, que marca o início do desmonte de rochas para as galerias subterrâneas, contou com a presença da diretoria da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). A articulação entre o setor privado e o poder público tem sido apresentada como um pilar para mitigar os impactos sociais da mineração, focando na longevidade dos empregos.

“A produção de níquel no estado caminhava para se exaurir com o fim da lavra a céu aberto. A prioridade foi proteger empregos e assegurar oportunidades para quem depende direta e indiretamente da atividade”, afirmou Henrique Carballal, presidente da CBPM.

Para a Appian Capital Brazil, a viabilidade do projeto depende da integração entre tecnologia de extração e protocolos socioambientais. “Essa colaboração contribui para o desenvolvimento do projeto na Bahia, alinhando mineração responsável com preservação ambiental”, destacou Milson Mundim, country manager da companhia, reforçando a adoção de padrões ESG (Environmental, Social, and Governance).

O níquel produzido em Itagibá insere o Brasil em uma disputa geopolítica por recursos necessários à descarbonização da economia global. O aumento de mais de 50% na capacidade produtiva da mina coloca o sul baiano como um polo estratégico frente à crescente demanda por armazenamento de energia.

Os próximos passos do projeto incluem a conclusão das galerias de acesso e a implementação de infraestrutura de ventilação e segurança interna. No cenário atual, a operação subterrânea não é apenas uma expansão industrial, mas uma medida de sobrevivência econômica para a região de Itagibá, transformando uma reserva em vias de esgotamento em um ativo de longo prazo.
Por Redação Notícia10

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