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Economia - 15 horas ago

Hapag-Lloyd conclui compra de 50% de megaterminal de contêineres em Aracruz

Joint venture com Grupo Imetame investe em estrutura de R$ 3 bi com capacidade para 1,2 milhão de TEUs por ano; operação começa em 2028

A Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária da alemã Hapag-Lloyd, quinta maior armadora do mundo, concluiu a aquisição de 50% do projeto de um novo terminal de contêineres em Aracruz, no litoral norte do Espírito Santo. A operação, realizada em joint venture com o grupo brasileiro Imetame, cria a Hanseatic Global Terminals Aracruz S.A. e representa um investimento total estimado em R$ 3 bilhões, com previsão de início das operações para meados de 2028.

O terminal será construído em Barra do Riacho, próximo ao Porto de Portocel, e terá capacidade anual de 1,2 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). A estrutura contará com calado de 17 metros, superior aos 14,5 metros do Porto de Santos, cais de 750 metros de extensão e equipamentos de movimentação de última geração, projetada para receber os maiores navios porta-contêineres em operação nas rotas internacionais.

A alemã HGT investiu cerca de R$ 1 bilhão na aquisição da participação, conforme apurou o Brazil Journal junto a fontes próximas às empresas. O grupo Imetame, que atua nos setores de metalurgia, pedras ornamentais, energia e óleo e gás, tocava o projeto desde 2014 com capital próprio de seu controlador, Etore Cavallieri. O investimento total no terminal de contêineres, incluindo obras civis e equipamentos, deve girar em torno de R$ 3 bilhões.

“A América Latina é um mercado estratégico para a Hanseatic Global Terminals e a Hapag-Lloyd. Nossa parceria com o Grupo Imetame e o desenvolvimento do novo terminal em Aracruz fortalecerá a conectividade regional, expandirá a capacidade e proporcionará acesso mais eficiente aos mercados globais”, afirmou Dheeraj Bhatia, CEO da HGT.

O empreendimento foi concebido para funcionar como hub de transbordo e porta de entrada para a costa leste brasileira. Com águas mais profundas que Santos, o terminal poderá receber navios de longo curso que hoje atracam preferencialmente no maior porto do país, concentrando parte expressiva do comércio exterior brasileiro. A localização em Aracruz também fica mais próxima dos grandes centros consumidores e das principais rotas marítimas do que os portos tradicionais, segundo a HGT.

Para o Espírito Santo, o investimento representa um reforço na infraestrutura logística do estado, que já abriga os portos de Vitória, Tubarão, Barra do Riacho (Portocel) e o terminal da Vale em Praia Mole. A nova estrutura está situada a apenas 3 km da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), que conecta o estado às regiões produtoras de Minas Gerais, e contará com um ramal ferroviário de alta produtividade.

O setor de café é um dos que estão de olho no novo terminal, o Espírito Santo é o maior produtor brasileiro de grãos canéforas (conilon), e a estrutura permitiria escoamento direto pelo litoral capixaba, reduzindo dependência do Porto de Santos. Além do terminal de contêineres, o complexo portuário da Imetame deverá abrigar terminais de cargas gerais, granéis sólidos e líquidos e operações ship-to-ship.

A transação, que recebeu todas as aprovações regulatórias e antitruste necessárias, foi anunciada originalmente em dezembro de 2025 e concluída agora em junho de 2026. Os valores exatos da negociação não foram divulgados publicamente.

“Estamos muito satisfeitos em ter a Hanseatic Global Terminals como uma forte parceira estratégica para o novo terminal de contêineres no Espírito Santo. Eles possuem grande experiência para oferecer aos clientes, importadores e exportadores um manuseio de carga eficiente e fortalecer ainda mais a importância do Brasil no comércio global”, declarou Etore Selvatici Cavallieri, presidente do Grupo Imetame.

A Hapag-Lloyd é uma das armadoras que vêm ampliando sua presença em terminais portuários globalmente, movimento conhecido como verticalização. A empresa opera hoje 21 terminais em 11 países e tem meta de chegar a 30 até 2030. No Brasil, a alemã segue concorrentes como MSC (que comprou a Wilson Sons), CMA CGM (adquiriu a Santos Brasil) e Maersk (já atuante em terminais no Porto de Santos).

A conclusão da obra e o início das operações dependem do andamento da construção, que já vinha sendo tocada pela Imetame com recursos próprios. Não há, até o momento, informações sobre o percentual de avanço físico do projeto nem sobre a geração de empregos diretos e indiretos prevista para a fase de operação.
Por Redação Notícia10

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