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Economia - 15 horas ago

Aracruz: Suzano instala 2,5 mil sensores sem fio em correias de fábrica para evitar incêndios

Tecnologia LoRaWAN monitora temperatura e vibração em tempo real; falhas em roletes podem paralisar produção por semanas

A Suzano, maior produtora mundial de celulose, instalou um sistema pioneiro de sensoriamento inteligente em roletes de correias transportadoras de cavacos em sua unidade de Aracruz, no Espírito Santo. A fábrica, que iniciou operações em 1978, conta agora com cerca de 2,5 mil roletes inteligentes capazes de monitorar continuamente temperatura, vibração e rotação, parâmetros críticos para prevenir incêndios e paradas não programadas.

Os sensores operam de forma online e sem fio, utilizando o protocolo LoRaWAN (Long Range Wide Area Network), tecnologia de longo alcance e baixo consumo energético que transmite dados em tempo real para plataformas de supervisão a até 3 km de distância, sem necessidade de retransmissores. O sistema permite que equipes técnicas identifiquem rapidamente comportamentos fora do padrão.

“Um dos principais modos de falha em fábricas de celulose são incêndios em correias transportadoras de cavacos causados por falhas em roletes. Quando esses caminhos são bloqueados, toda a produção é interrompida, podendo ter seus efeitos alastrados por semanas”, afirma Anderson Cavessana, gerente de Confiabilidade da Suzano.

As correias transportadoras são responsáveis pelo deslocamento dos cavacos, pequenos pedaços de madeira, usados na produção de celulose. O monitoramento contínuo dos roletes, portanto, tem papel central na continuidade da operação industrial. “Com o avanço das tecnologias de IoT e dos conceitos da Indústria 4.0, tornou-se possível integrar sensores inteligentes que coletam dados em tempo real. Os sensores deixam de atuar apenas como instrumentos de medição e passam a fazer parte de uma estratégia integrada de manutenção preditiva”, explica Cavessana.

Além dos roletes inteligentes, a unidade de Aracruz desenvolve uma prova de conceito para monitoramento de conexões elétricas em motores industriais. Sensores acompanham em tempo real a temperatura dentro das caixas de ligação dos motores, mesmo com os equipamentos lacrados. A tecnologia foi criada internamente após estudos identificarem ausência de soluções no mercado.

A transformação digital em plantas industriais antigas enfrenta o desafio de adaptar estruturas concebidas antes da era da conectividade. Tecnologias sem fio, como a LoRaWAN, permitem implementar soluções inteligentes com menor necessidade de infraestrutura física, reduzindo custos e acelerando a modernização.

A unidade de Aracruz da Suzano produziu 2,9 milhões de toneladas de celulose em 2025, segundo dados da empresa, respondendo por cerca de 30% da capacidade total da companhia no Brasil. A fábrica está localizada no complexo industrial de Barra do Riacho, mesmo polo que abriga o terminal de celulose da Portocel e o futuro megaterminal de contêineres da Imetame em parceria com a Hapag-Lloyd.

A empresa não divulgou o valor investido no sistema de sensoriamento nem o cronograma para expansão da tecnologia para outras unidades da companhia. Também não informou se a solução já resultou em redução mensurável de paradas não programadas ou ocorrências de incêndio desde a implantação.

Neste Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, os projetos da Suzano em Aracruz ilustram como a digitalização vem transformando operações industriais tradicionais. A eficácia do sistema, no entanto, dependerá da capacidade de análise dos dados gerados pelos 2,5 mil sensores e da resposta rápida das equipes de manutenção aos alertas emitidos.
Por Redação Notícia10

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