Home Bem Estar Turismo Nordeste lidera capital cultural do país mas tem baixa reputação entre estrangeiros
Turismo - 20 horas ago

Nordeste lidera capital cultural do país mas tem baixa reputação entre estrangeiros

Estudo inédito aponta contradição entre valorização interna e percepção internacional sobre estados nordestinos.

A região Nordeste registra o maior capital cultural do país na avaliação dos próprios brasileiros, mas amarga um dos menores índices de reputação e notoriedade entre os estrangeiros. O diagnóstico consta no estudo Marca Brasil, produzido pela consultoria OnStrategy após ouvir 192.400 brasileiros e 278.200 cidadãos de outros países entre outubro de 2025 e março de 2026. A discrepância expõe as barreiras de comunicação internacional da região, que atinge notas consideradas vulneráveis no exterior em indicadores econômicos e de inovação, contrastando com o potencial turístico local.

A pesquisa Marca Brasil mediu o peso reputacional de todas as unidades da federação por meio de entrevistas pela internet que envolveram cidadãos comuns, executivos, jornalistas, influenciadores digitais e autoridades públicas. Para classificar as percepções sobre dez dimensões do país, o levantamento utilizou uma escala de pontuação dividida em cinco categorias: fraca (0,0 a 3,9), vulnerável (4,0 a 5,9), moderada (6,0 a 6,9), robusta (7,0 a 7,9) e excelente (8,0 a 10,0).

Historicamente vinculada a estereótipos que negligenciam sua diversidade econômica, a região Nordeste obteve a nota 6,6 em capital cultural no ambiente doméstico, a liderança nacional, mas obteve apenas 4,3 em notoriedade no olhar externo, superando apenas a região Norte, que registrou 4,1 pontos.

A desconexão entre a realidade cultural nordestina e a imagem transmitida ao mercado global afeta diretamente a atração de investimentos produtivos, o financiamento de projetos estruturais e o fluxo turístico internacional. O levantamento indica que o olhar externo sobre o Nordeste é puxado para baixo pelas notas nos quesitos “Admiração e Confiança” (4,1), “Exposição e Relevância Internacional” (4,7) e “Inovação e Diferenciação” (4,9), todas situadas na faixa classificada como vulnerável.

A melhor avaliação consolidada fora do Brasil concentra-se no eixo “Beleza, Valores, Cultura e Tradições” (6,5). Essa centralização revela um limite na promoção externa das marcas estaduais, que tendem a ser associadas exclusivamente a atributos paisagísticos ou festivos, ocultando polos de desenvolvimento tecnológico, transição energética e cadeias de serviços consolidadas.

Há ainda uma acentuada desigualdade na percepção individual dos estados. Enquanto a Bahia atinge o nível robusto com 7,2 pontos em “Imagem e Reputação”, o Piauí registra 4,6 pontos, figurando entre os piores desempenhos do território nacional e evidenciando a concentração de visibilidade mesmo dentro do bloco regional.

O relatório da consultoria OnStrategy indica a necessidade de orientar campanhas institucionais e ações comerciais para mercados europeus que possuam afinidade histórica com a formação social do Nordeste. A análise técnica aponta que os indicadores negativos não decorrem de fragilidades estruturais concretas da região, mas sim de uma defasagem de narrativa e de posicionamento de mercado. O país apresenta dificuldades regulares em internacionalizar suas marcas e comunicar de forma profissional os avanços internos em sustentabilidade e diversidade econômica.

A pesquisa consolida um cenário no qual o Nordeste precisa converter seu capital cultural interno em ativos tangíveis de comércio exterior e turismo qualificado. Os dados de imagem e reputação mapeados até março de 2026 servirão como parâmetro para governos estaduais e agências de promoção de negócios revisarem as estratégias de captação de recursos externos e comunicação pública.
Por Redação Notícia10

Check Also

Mucuri atinge liderança isolada em avaliação de fluência leitora no extremo sul baiano

O município de Mucuri consolidou, pelo segundo ano consecutivo, a liderança regional na av…