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Institucional - 20 horas ago

ES: Exposição sobre cafés com indicação geográfica inicia circuito em Linhares

Mostra fotográfica e sensorial debate impacto socioeconômico de certificações de origem no Espírito Santo a partir desta quinta-feira.

Linhares, no Norte do Espírito Santo, recebe a partir desta quinta-feira, 21 de maio, a exposição itinerante “BRASIS Cafés de Origem”. Sediada na Faculdade Anhanguera até o dia 1 de junho com visitação gratuita, a mostra cultural utiliza os registros fotográficos de Marcelo Coelho para mapear a diversidade de terroirs e as regiões brasileiras que detêm o selo de Indicação Geográfica (IG). O evento de abertura ocorre na Sala Araçá, a partir das 16h, com debates sobre o desenvolvimento das comunidades produtoras e os arranjos produtivos locais da cafeicultura.

A mostra é inspirada no livro “A Revolução do Café Brasileiro – Regiões com Indicação Geográfica” e projeta percorrer 14 regiões cafeicultoras que se diferenciam pela identidade territorial. O projeto iniciou o circuito na cidade de Franca, na Região Alta Mogiana paulista, em abril deste ano, e já passou por municípios mineiros e capixabas, como Guaçuí e Venda Nova do Imigrante.

O selo de Indicação Geográfica, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), funciona como um instrumento de proteção jurídica e valorização cultural, atestando que as características da bebida estão vinculadas a fatores humanos e ambientais específicos de seu local de cultivo.

A escolha de Linhares como sede reflete o peso do município, que ocupa o posto de maior produtor estadual de café conilon e o terceiro maior do país. O Espírito Santo, por sua vez, lidera a produção nacional dessa variedade e abriga a maior região em extensão territorial com Denominação de Origem (DO) do Brasil, que abrange 78 municípios sob a gestão da Federação dos Cafés do Estado do Espírito Santo (Fecafés).

Embora o avanço técnico em irrigação de precisão e mecanização eleve a produtividade regional, a discussão em torno das IGs esbarra em desafios estruturais para os pequenos produtores. A necessidade de certificação exige investimentos em rastreabilidade que nem sempre acompanham o retorno financeiro imediato das famílias agricultoras, evidenciando distâncias entre o mercado de cafés finos e a realidade da base produtiva de commodities.
A curadoria da exposição destaca a centralidade do fator humano na consolidação das marcas territoriais. O engenheiro agrônomo e diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, defende que a certificação vai além da métrica comercial.

“A Indicação Geográfica é um selo de origem e qualidade que transcende o produto. Ela certifica que o café possui características únicas, moldadas pelo clima, solo, altitude e pelo saber-fazer das comunidades locais”, afirma Tarabal.

Marcela Ribeiro, diretora da Pink Produções e cocriadora do projeto, pontua que a iniciativa tenta aproximar o consumidor urbano dessa cadeia de valor, funcionando como “um portal para um novo olhar sobre o café brasileiro”.

Do ponto de vista do financiamento, o projeto é viabilizado pela Lei Rouanet com patrocínio do Sicoob. O diretor de Coordenação Sistêmica e Sustentabilidade da instituição financeira, Enio Meinen, argumenta que o apoio busca impulsionar a economia regional: “Valorizamos o impacto positivo da cultura cafeeira, que, para além da repercussão econômica, é aliada da sustentabilidade e transforma a realidade de milhares de famílias brasileiras”.
Por Redação Notícia10

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