
ES: Assembleia capixaba homenageia 41 produtores de cafés especiais de 17 municípios
Sessão solene na Ales reconhece evolução da cafeicultura no estado, que deixou de produzir grãos de baixa qualidade para se destacar em concursos internacionais
Quarenta e um produtores de cafés especiais de 17 municípios do Espírito Santo receberam placas de homenagem em sessão solene na Assembleia Legislativa (Ales) nesta quinta-feira (25). A iniciativa reconhece a evolução da cafeicultura capixaba, que nos últimos anos deixou de ser associada a grãos de baixa qualidade para conquistar espaço no mercado de bebidas finas, com impacto direto na renda no campo e na valorização do trabalho rural e feminino no estado.
A proposta da solenidade partiu do deputado Dary Pagung (PSB), que ressaltou a dificuldade de deslocamento dos agricultores até a capital durante o período de colheita. O parlamentar classificou a produção como resultado do conhecimento e da dedicação de milhares de pessoas no campo.
Durante o evento, representantes do setor detalharam a transformação pela qual passou a lavoura capixaba. A presidente da Associação de Produtores de Café Especiais do Caparaó (Apec), Cecília Nakao, resgatou o cenário encontrado na região da Serra do Caparaó quando chegou ao local, em 2002. Na época, segundo ela, as fazendas careciam de equipamentos adequados para o processamento dos grãos, havia animais transitando sobre o café espalhado nos terreiros e os preços desfavoráveis levavam muitos agricultores a arrancar os pés de café para plantar eucalipto.
“Na escola, os alunos eram incentivados a estudar para poder sair da lavoura do café”, relatou Nakao, ao descrever o desestímulo que marcava a atividade nas últimas décadas. A representante da entidade, que detém a indicação geográfica dos cafés da região, atribuiu a virada de chave ao apoio de institutos acadêmicos, pesquisadores e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
A mudança de patamar da produção também foi destacada pela produtora Tatiana Favoreto de Oliveira Paulucio, que discursou em nome dos homenageados. Ela produz café em Muniz Freire, onde mantém duas cafeterias ao lado das irmãs Juliana e Poliana.
“Num passado não tão distante, o Espírito Santo era conhecido por ter os piores cafés do Brasil, mas nos últimos tempos a história vem sendo contada diferente. Agora temos os melhores cafés e não somos nós quem falamos, são os concursos, os nossos clientes e o espaço que nós conquistamos”, afirmou Paulucio. Ela também apontou a cafeicultura especial como vetor de valorização do trabalho feminino no campo, citando a própria trajetória e a de outras produtoras presentes na Assembleia.
O secretário de Estado da Agricultura, Ênio Bergoli, projetou os próximos passos do setor. Ele avaliou que a qualidade do grão é o diferencial competitivo do Espírito Santo em relação a grandes produtores globais, como o Vietnã.
“Em algum momento, o Brasil vai ser pequeno e nós vamos ter que ofertar o nosso conilon mais para o mundo. Tendo em vista que a gente está melhorando muito nossas lavouras, sendo mais tecnificadas, talvez nosso principal desafio para os próximos anos seja aumentar a qualidade do conilon”, projetou Bergoli. O secretário indicou que o planejamento de médio e longo prazo do estado foca na expansão da produção de cafés especiais, tanto arábica quanto conilon.
Por Redação Notícia10
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