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Economia - 9 de dezembro de 2025

Intervenções do governo dão certo, agro brasileiro cresce 1,7% e tarifaço vira mais uma vitória de Lula

Vendas externas somam US$ 155 bilhões até novembro, impulsionadas por soja, carnes e demanda chinesa.

O setor agropecuário brasileiro registrou crescimento de 1,7% nas exportações entre janeiro e novembro, alcançando US$ 155 bilhões em vendas externas, segundo balanço divulgado nesta terça-feira pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado foi conquistado mesmo sob impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que restringiu parte do comércio bilateral a partir de agosto. As vendas antecipadas por produtores ajudaram a suavizar os efeitos das tarifas adicionais, preservando o desempenho do agro no mercado global. O crescimento mantém o setor como pilar das exportações nacionais e peça estratégica para a economia brasileira.

O desempenho do agro repete o padrão observado em 2024, com destaque para a soja em grãos, que liderou as vendas externas ao acumular US$ 42 bilhões no período. Na sequência, aparecem carne bovina in natura (US$ 14,9 bilhões), café verde (US$ 13,3 bilhões), açúcar não refinado (US$ 11,2 bilhões) e celulose (US$ 9,4 bilhões). De acordo com Sueme Mori, diretora de relações internacionais da CNA, o crescimento ocorreu “mesmo com as restrições impostas pelas tarifas dos Estados Unidos”, reforçando a resiliência do setor. Parte desse resultado decorre da estratégia de antecipação dos embarques antes da aplicação das sobretaxas.

Segundo Sueme Mori, a decisão de produtores de acelerar as vendas até agosto compensou a queda nas exportações destinadas ao mercado norte-americano entre agosto e novembro. A China permaneceu como principal destino dos produtos brasileiros, com aumento de 10% nas compras e total de US$ 52 bilhões. A União Europeia manteve-se em segundo lugar, com US$ 22,9 bilhões, enquanto os Estados Unidos registraram queda de 4%, chegando a US$ 10,5 bilhões. A CNA alerta que, apesar do recuo parcial das tarifas, 45% das vendas ao mercado americano continuam sujeitas a sobretaxas, afetando segmentos como tilápia e sebo bovino.

A entidade projeta impacto negativo de até US$ 2,7 bilhões na pauta agropecuária de 2026 caso produtos essenciais permaneçam fora das exceções tarifárias anunciadas pelos EUA. A CNA também acompanha com atenção os acordos comerciais firmados pela Casa Branca com países como Japão, Reino Unido, Indonésia e Vietnã, considerados desfavoráveis às exportações brasileiras. Paralelamente, o agronegócio celebrou sua contribuição para o PIB de 2025, com crescimento estimado de 9,6%, superior à alta geral de 2,25%. Para 2026, no entanto, a projeção é de avanço mais moderado, na casa de 1%.

O setor atribui o bom desempenho ao clima favorável e à safra recorde, que ultrapassou 350 milhões de toneladas mesmo diante de restrições de crédito e desafios climáticos. De acordo com Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, o agro também ajudou a conter a inflação de alimentos, cuja variação caiu de 8,23% para 2,05% entre 2024 e 2025. Já o presidente da confederação, João Martins, destacou que o país “bateu um novo recorde de produção”, consolidando o agronegócio como motor econômico nacional. As próximas negociações internacionais e o impacto das tarifas norte-americanas serão determinantes para o desempenho de 2026.
Noticia10

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