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Economia - 29 de março de 2026

Bahia concentra 94% dos investimentos do Fundo da Marinha Mercante no Nordeste

Estado lidera carteira regional com R$ 11,2 bilhões projetados para indústria naval e portos, prevendo a criação de mais de 45 mil empregos diretos.

A Bahia tornou-se o eixo central dos investimentos em infraestrutura naval e portuária no Nordeste, abrigando quase a totalidade dos recursos destinados à região pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM). Dos R$ 11,9 bilhões previstos para o bloco nordestino, R$ 11,2 bilhões estão vinculados a projetos em solo baiano, o que representa 94% do montante regional. O plano, detalhado em Brasília pelo Ministério de Portos e Aeroportos, projeta a abertura de 45.016 vagas de trabalho diretas no estado por meio de 26 obras estruturantes.

O cenário atual marca uma retomada da indústria naval brasileira após um período de retração. Entre 2019 e 2022, o volume de projetos aprovados pelo FMM no Brasil estagnou em R$ 22,8 bilhões, valor que saltou para R$ 87 bilhões no ciclo iniciado em 2023. Na Bahia, esse movimento é impulsionado pela reativação de grandes estruturas, como o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe. A unidade, que processa até 100 mil toneladas de aço por ano, entregou em janeiro de 2026 o primeiro lote de barcaças para transporte de minério, sinalizando a retomada das operações após o início de sua recuperação judicial.

A concentração desses recursos na Bahia reflete diretamente na economia local do Recôncavo Baiano e da Região Metropolitana de Salvador. Além da geração de emprego em larga escala, os projetos visam aumentar a competitividade logística do país por meio da construção de embarcações especializadas e modernização de terminais. O aporte de R$ 11,2 bilhões viabiliza a produção de navios de suporte offshore e embarcações de resposta a desastres ambientais, fortalecendo a cadeia de fornecedores nacionais e a soberania tecnológica no setor de óleo e gás.

“Os números refletem a consolidação de uma política pública de escala. O ciclo atual superou os R$ 87 bilhões em projetos aprovados, com crescimento expressivo nas contratações e impacto direto sobre emprego e competitividade da indústria naval brasileira”, afirma o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

A execução plena desse cronograma depende agora da conversão de aprovações em contratos efetivos. Atualmente, apenas 16% do total aprovado nacionalmente foi efetivamente contratado junto aos agentes financeiros. O maior desafio imediato na Bahia é o projeto da Bahia Mineração S.A. (BAMIN), avaliado em R$ 4,597 bilhões. Caso a empresa não firme a contratação até junho de 2026, a prioridade de financiamento expira, o que exigiria uma reapresentação do projeto ao Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM).

O estado consolida sua posição como o maior canteiro de obras navais do Nordeste, ancorado por projetos de alta complexidade em Maragogipe e Simões Filho. Enquanto os estaleiros entregam as primeiras encomendas de 2026, o foco do setor produtivo volta-se para o cumprimento dos prazos bancários, essenciais para garantir que os R$ 11,2 bilhões previstos se transformem em infraestrutura operacional e postos de trabalho permanentes.
Por Redação Notícia10

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