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Economia - 2 dias ago

Petróleo sobe 6,8% após fracasso em negociações entre Estados Unidos e Irã

Commodity atinge US$ 101,93 com ameaça de bloqueio no Estreito de Hormuz e interrupção de tráfego.

O preço do barril de petróleo do tipo Brent, referência para o mercado internacional, registrou alta de 6,80% por volta das 19h deste domingo (12), sendo cotado a US$ 101,93 para contratos com vencimento em junho. A valorização ocorre imediatamente após o encerramento sem consenso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, realizadas no Paquistão durante o fim de semana. O impasse eleva a tensão no Estreito de Hormuz, rota por onde circula 20% do suprimento global da commodity, e reverte a tendência de queda de 13% observada na semana anterior, quando o mercado precificava uma possível trégua.

A instabilidade no Golfo Pérsico intensificou-se após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que a Marinha iniciará o bloqueio imediato de embarcações que pagarem pedágio ao Irã para atravessar o Estreito de Hormuz. O governo iraniano, por sua vez, mantém a intenção de cobrar taxas de petroleiros em trânsito pela região. O cenário de insegurança é agravado por relatos do jornal The New York Times sobre a presença de minas marítimas espalhadas de forma desordenada pelo Irã, cujas posições exatas são desconhecidas devido ao deslocamento pelas correntes marítimas, representando risco físico às tripulações.

A paralisia do Estreito de Hormuz gera um gargalo logístico sem precedentes na economia global. Dados da plataforma MarineTraffic, operada pela empresa Kpler, indicam que o fluxo caiu de 150 embarcações diárias para apenas 16 desde o anúncio da última trégua na terça-feira passada. Atualmente, cerca de 1.300 navios comerciais permanecem ancorados aguardando segurança para navegar. O impacto inflacionário é direto: embora o valor atual tenha recuado em relação aos US$ 110 registrados antes da trégua, o petróleo segue 35% mais caro do que os níveis anteriores ao conflito, pressionando os custos de transporte e energia em escala mundial.

As grandes transportadoras marítimas mantêm postura de retração diante da falta de garantias operacionais. O grupo dinamarquês Maersk, líder global do setor, informou que não pretende alterar seus serviços específicos no momento. Em relatório de mercado, Ana Subasic, analista de risco da Kpler, avaliou as limitações técnicas para uma eventual retomada. “Dado o atual ambiente de segurança e os controles operacionais, a capacidade de trânsito seguro deve continuar limitada a aproximadamente dez a 15 passagens por dia”, projetou a especialista.

Como resposta imediata ao deficit de oferta, os 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) aprovaram a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais. Paralelamente, em reunião realizada neste domingo, a Opep+ decidiu elevar as cotas de produção em 206 mil barris por dia para o mês de maio. No curto prazo, a prioridade de trânsito em Hormuz será dada aos petroleiros já carregados que se concentram nas proximidades da ilha homônima, embora o fluxo dependa da neutralização das ameaças militares de ambos os lados.

O fracasso diplomático no Paquistão restabelece o cenário de alta volatilidade no mercado de energia e mantém o Estreito de Hormuz como o principal ponto de estrangulamento do comércio exterior. A cotação do Brent deve abrir a jornada de segunda-feira sob pressão das novas ameaças de interceptação naval feitas pelos Estados Unidos. O equilíbrio do setor agora depende da eficácia das reservas emergenciais da AIE para conter a escalada de preços em meio à interrupção física do fornecimento no Oriente Médio.
Por Redação Notícia10

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