
ES: Crédito para agricultura familiar no Estado cresce 14,4% e atinge R$ 2,58 bilhões
Volume financeiro injetado no campo supera ciclo anterior em R$ 324 milhões; custeio da produção avança 22,5%.
A agricultura familiar no Espírito Santo contratou R$ 2,58 bilhões em crédito rural nos primeiros dez meses do ano-safra 2025/2026, consolidando uma expansão de 14,4% em comparação ao período homólogo do ciclo anterior. O balanço, que compreende o intervalo entre julho de 2025 e abril de 2026, revela uma mudança no perfil do financiamento: o montante financeiro cresceu em ritmo significativamente superior ao número de operações (3,8%), indicando que o crédito está chegando às propriedades com maior densidade econômica e voltado a projetos mais estruturados. A modalidade de custeio, essencial para a manutenção imediata das lavouras, foi o principal motor da alta, superando pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão.
O desempenho atual é indissociável do Plano de Crédito Rural para o Espírito Santo, uma articulação política entre o Governo do Estado, a União e um consórcio de instituições financeiras que inclui desde bancos públicos, como Banco do Brasil e BNDES (via Bandes), até o sistema cooperativista (Sicoob-ES, Sicredi e Cresol). A estratégia central do programa foi a oferta de taxas equalizadas, mantidas abaixo da taxa Selic, o que reduziu o custo do capital para o pequeno produtor e incentivou a tomada de crédito em um cenário macroeconômico de cautela.
A construção dessa política envolveu entidades representativas de produtores e pescadores, permitindo que as linhas de crédito fossem desenhadas para atender atividades prioritárias da vocação regional. Ao descentralizar o acesso, o plano busca mitigar desigualdades históricas no campo, onde o pequeno produtor frequentemente enfrentava barreiras burocráticas para acessar recursos de fomento.
A análise dos dados aponta para uma profissionalização crescente da agricultura familiar capixaba. Enquanto o custeio saltou 22,5% (totalizando R$ 1,02 bilhão), garantindo a compra de insumos e o manejo diário, a modalidade de investimento alcançou R$ 1,56 bilhão — uma alta de 9,6%. O fato de o valor investido ter subido mesmo com um recuo de 1,5% no número de contratos sugere que os produtores estão adquirindo máquinas mais modernas e implantando tecnologias de maior valor agregado.
Para o governo estadual, o fortalecimento desse setor é estratégico para a manutenção do tecido social no interior. “São famílias de agricultores fazendo a máquina girar, gerando emprego e renda”, afirmou o governador Ricardo Ferraço. Na prática, o crédito robusto fixa o jovem no campo e aumenta o poder de compra nas comunidades rurais, criando um ciclo de desenvolvimento que reduz a dependência de centros urbanos.
“O volume financeiro cresceu muito acima do número de operações. O crédito no Espírito Santo está chegando com mais força às propriedades, financiando tanto o custeio quanto investimentos de maior porte”, explica Danieltom Vandermas, gerente de análise da Seag.
Apesar dos números positivos, o setor ainda lida com o desafio de converter esse crédito em produtividade resiliente frente às mudanças climáticas, especialmente em áreas afetadas por períodos de seca. A maior robustez das operações de investimento indica que parte desses recursos está sendo canalizada para a melhoria da infraestrutura hídrica e modernização das lavouras, preparando o terreno para safras futuras mais estáveis.
A conclusão factual do período é que a agricultura familiar deixou de acessar apenas um crédito de subsistência para operar com um financiamento de caráter empresarial. Com 29.758 contratos ativos até abril de 2026, o desafio para o fechamento do ano-safra será manter o fluxo de assistência técnica para garantir que o endividamento dos produtores resulte, efetivamente, em aumento de margem e sustentabilidade econômica para as 49 mil propriedades rurais do estado.
Por Redação Notícia10
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