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Economia - 2 horas ago

BNDES destina R$ 7,2 milhões para proteção de corais e fomento à economia azul na Bahia

Projeto Abrolhos/Trindade + Resiliente prevê restauração marinha, monitoramento de 183 km de litoral e apoio a comunidades pesqueiras tradicionais.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o aporte de R$ 7,2 milhões para a conservação marinha na região entre o sul da Bahia e o Espírito Santo. A iniciativa, denominada Abrolhos/Trindade + Resiliente, conta com um investimento total de R$ 14,4 milhões e será executada pela Conservação Internacional (CI-Brasil). O projeto foca na mitigação dos danos causados pelo aquecimento das águas e pelo turismo desordenado em uma das áreas de maior biodiversidade do Atlântico Sul, integrando pesquisa científica à geração de renda para 725 beneficiários diretos em comunidades costeiras.

A região de Abrolhos-Trindade, que concentra o maior complexo recifal do Atlântico Sul, enfrenta uma pressão crescente decorrente do branqueamento dos corais, fenômeno intensificado pelas mudanças climáticas. Além dos fatores térmicos, o ecossistema sofre com a sobrepesca e a poluição. O novo aporte financeiro, oriundo do Fundo Socioambiental do BNDES, integra o programa BNDES Corais, maior esforço nacional voltado especificamente para a recuperação dessas estruturas biológicas.

O plano de ação, com duração prevista de três anos, abrange o monitoramento de 183 quilômetros de litoral e o apoio direto a seis unidades de conservação. No Espírito Santo, o foco será o mapeamento científico de corais de profundidade na cadeia Vitória-Trindade, áreas ainda pouco exploradas pela ciência nacional, o que deve orientar futuras políticas de manejo marinho.

Na Bahia, o projeto incide sobre territórios vulneráveis e estratégicos, como as Reservas Extrativistas (Resex) de Corumbau, Cassurubá e Canavieiras. A proposta busca desviar a lógica da exploração predatória para a chamada “economia azul”, incentivando o turismo de base comunitária e o cultivo de algas marinhas. A meta é fortalecer cerca de 100 pequenos negócios locais ligados à sociobiodiversidade, oferecendo uma alternativa econômica viável que reduza a dependência da pesca de escala sobre os recifes.

A dimensão social do investimento prevê a capacitação de 100 moradores locais, transformando-os em agentes ativos da conservação e do monitoramento ambiental. Ao estruturar cadeias produtivas de baixo impacto, o projeto tenta equilibrar a preservação de habitats críticos com a necessidade de subsistência de populações tradicionais que dependem diretamente da saúde do oceano.

A CI-Brasil, parceira executiva do banco, será responsável pela implementação das metas de restauração ecológica e planejamento costeiro. O financiamento está inserido no contexto do programa BNDES Azul, que trata o mar territorial brasileiro, a “Amazônia Azul”, como um ativo econômico e ambiental indissociável do desenvolvimento nacional.

O projeto estabelece que a criação de planos de manejo e o monitoramento científico contínuo são as etapas confirmadas para o primeiro ciclo da iniciativa. O resultado esperado é a consolidação de um modelo de gestão que possa ser replicado em outras áreas da costa brasileira, garantindo que o uso dos recursos marinhos não comprometa a estabilidade dos ecossistemas recifais a longo prazo.
Por Redação Notícia10

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