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Brasil - 8 de julho de 2025

Brasil-China: Acordo para Ferrovia Transcontinental Vira Realidade

Em um movimento estratégico que pode redefinir as rotas comerciais da América do Sul, o Brasil formalizou, nesta segunda-feira (7), um acordo crucial com a China. O memorando de entendimento, assinado entre a estatal brasileira Infra S.A. e o China Railway Economic and Planning Research Institute, visa aprofundar os estudos de viabilidade para um ambicioso corredor ferroviário ligando o litoral brasileiro ao Oceano Pacífico, via porto de Chancay, no Peru. Essa iniciativa, que prevê a construção de uma ferrovia transcontinental partindo de Ilhéus (BA) e atravessando Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, é um passo fundamental para o Brasil se reposicionar no comércio global.

A formalização do acordo em Brasília, com a participação virtual de representantes chineses, marca o avanço de uma articulação que começou em abril, com a visita de uma delegação chinesa às obras das ferrovias Fiol e Fico. O projeto desse corredor ferroviário não é apenas sobre trilhos; ele integra-se a rodovias e hidrovias, visando uma infraestrutura intermodal robusta. O impacto esperado é gigantesco: estima-se uma redução no tempo de transporte de cargas para a Ásia de 40 para apenas 28 dias, conforme dados do governo peruano. Esse ganho logístico é vital para a competitividade de commodities brasileiras, como soja e minério de ferro.

A ferrovia bioceânica é um dos pilares da iniciativa Rotas de Integração Sul-Americana, lançada em 2023, e se insere na agenda do Novo PAC. Além dos benefícios econômicos diretos, o projeto promete fortalecer a malha logística brasileira e ampliar as exportações. A colaboração com a China reflete uma diretriz de cooperação entre os dois governos, como ressaltou o secretário do PAC, Maurício Muniz. A previsão é que os estudos técnicos, que definirão projetos executivos, modelos de concessão e linhas de financiamento, sejam concluídos até o primeiro trimestre de 2026. Os custos, por enquanto, ainda são uma incógnita, mas o potencial de integração regional com países como Peru, Bolívia e Paraguai é inegável.

A ferrovia não só facilitará o escoamento da produção, como também poderá, indiretamente, integrar o Brasil à Iniciativa Cinturão e Rota, liderada pela China, mesmo sem adesão formal do país. O porto de Chancay, destino final do corredor ferroviário, inaugurado em 2024 com investimentos chineses e administrado pela estatal Cosco, é uma peça chave nesse tabuleiro geopolítico. O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, descreveu a parceria como o “início de uma jornada técnica, institucional e diplomática”. Já Elisabeth Braga, diretora da Infra S.A., vislumbra uma nova etapa para a infraestrutura ferroviária nacional.

Além dos ganhos logísticos e econômicos, o projeto do corredor ferroviário tem o potencial de gerar impactos regionais significativos, com ampliação da infraestrutura e criação de empregos nos estados atravessados. A integração de áreas da Amazônia ao comércio internacional e a adoção de práticas logísticas com menor impacto ambiental também estão entre as propostas. Este acordo sinaliza uma nova era para o comércio exterior brasileiro, com a promessa de maior eficiência e menor tempo de trânsito.
Noticia10

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