Home Notícias Brasil Lula diz que Brasil “não adotará política de vira-lata” após EUA recomendarem tarifa de 25%
Brasil - 15 horas ago

Lula diz que Brasil “não adotará política de vira-lata” após EUA recomendarem tarifa de 25%

Presidente afirma que foi "pego de surpresa" por nova taxação e anuncia ida ao G7 na França para defender multilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a segunda reunião ministerial de 2026 nesta quarta-feira (3) com um discurso de endurecimento contra os Estados Unidos, após o Escritório do Representante Comercial americano (USTR) recomendar a taxação de 25% sobre produtos brasileiros. “Esse país não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências”, afirmou Lula.

A fala ocorre em meio a uma escalada na disputa comercial entre os dois países. Em julho de 2025, os EUA impuseram tarifas iniciais ao Brasil, e a nova recomendação do USTR representa um agravamento do conflito. O governo brasileiro divulgou nota na terça-feira (2) listando argumentos contra a medida, e o vice-presidente Geraldo Alckmin concedeu coletiva ao lado dos ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento) e Dario Durigan (Fazenda) para reforçar a defesa do país.

“Nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta pelo multilateralismo, a nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes”, disse Lula aos ministros.

O presidente lembrou que, durante encontro com Donald Trump em Washington no início de maio, ficou acordado que representantes dos dois países discutiriam as tarifas remanescentes por 30 dias. “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e EUA. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem, com a decisão deles”, afirmou.

A divergência teria ocorrido entre os ministros do Comércio dos dois países. Lula propôs a Trump um prazo de 30 dias para negociação, mas o diálogo ainda não avançou. “Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Nós não fizemos bravata, não fizemos discurso. Nós resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos EUA, mas a outros países e ao povo americano, a insensatez da punição ao Brasil.”

Em resposta à tensão comercial e ao que classificou como “desmonte do multilateralismo”, Lula anunciou que participará da reunião de líderes do G7, marcada para o dia 15 na França. O presidente afirmou que inicialmente não iria ao encontro, mas mudou de planos. “Porque é preciso alguém tentar colocar ordem nessa coisa que está acontecendo: desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia, desvalorização das instituições”, disse.

O G7 reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A presença de Lula no encontro ocorre em um momento em que o governo brasileiro tenta articular uma resposta coordenada à pressão comercial americana, embora não tenha anunciado, até o momento, medidas retaliatórias concretas.

Lula também voltou a defender a reformulação do Conselho de Segurança da ONU. “Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo. É fortalecendo a ONU.”

O governo brasileiro não detalhou quais produtos seriam afetados pela tarifa de 25% recomendada pelo USTR nem o prazo para que a medida entre em vigor. A coletiva de Alckmin na terça-feira também não apresentou um cronograma de contra-medidas. A eficácia da estratégia diplomática brasileira dependerá, nos próximos dias, da capacidade do governo de transformar a retórica em resultados concretos nas mesas de negociação.
Por Redação Notícia10

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