
Operação conjunta cumpre mandados e mira ataques em conflitos de terra no Extremo Sul da Bahia
Ações estaduais e federais buscam autores de ataques que deixaram mortos e feridos em Itamaraju e Prado.
Uma operação integrada entre forças estaduais e federais foi deflagrada na manhã desta terça-feira (9) no Extremo Sul da Bahia para conter a escalada de violência decorrente de conflitos de terra envolvendo produtores rurais e comunidades indígenas. As ações simultâneas resultam no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão contra investigados ligados a dois ataques ocorridos este ano na região. A mobilização, coordenada pela Força-Tarefa da Polícia Federal de Porto Seguro, busca reforçar a presença do Estado em áreas marcadas por disputas históricas. O conjunto de diligências reflete o avanço das investigações sobre os episódios recentes. Segundo as autoridades, a operação prioriza a segurança de moradores rurais e indígenas diante da tensão crescente.
A primeira frente da operação concentra-se no ataque registrado em 28 de outubro, em Itamaraju, quando a invasão de uma fazenda resultou na morte de dois agricultores, pai e filho, e deixou um terceiro ferido. Os suspeitos teriam se identificado como indígenas no momento da ação e fugiram após o crime. Embora três pessoas tenham sido detidas em flagrante no mesmo dia, todas foram liberadas por questões processuais. A continuidade das investigações permitiu identificar supostos mandantes e autores dos disparos, o que levou ao pedido e à expedição de mandados judiciais. Até agora, um dos alvos foi preso, e mais de dez armas de fogo foram apreendidas.
O segundo eixo da operação ocorre no município de Prado, onde indígenas da Aldeia KAI, em Cumuruxatiba, foram atacados em 1º de outubro enquanto ocupavam uma área em ação de “retomada”. Segundo a polícia, homens armados teriam tentado expulsá-los à força, deixando dois indígenas feridos durante a investida. Nesta etapa, equipes cumprem dois mandados de busca e apreensão em residências de investigados apontados como possíveis articuladores e executores do ataque. A intenção é consolidar provas e identificar outros envolvidos na ofensiva. O procedimento integra o esforço para esclarecer a dinâmica do caso e ampliar o alcance da investigação.
As duas operações reúnem um grande aparato policial que inclui equipes da Polícia Federal, do Comando de Operações Táticas da PF, da Core/PCBA, do Bope da PMBA, além de unidades como Caema, Cippa, Rondesp, CPR Extremo Sul e CPR Sul, com apoio da Força Nacional e da Polícia Civil da Bahia. O conjunto dessas forças atua de forma coordenada para estancar a sequência de ataques e fortalecer a proteção a comunidades vulneráveis. A expectativa é que as diligências resultem em novas prisões e permitam ampliar o entendimento sobre a articulação dos crimes. A consolidação de provas também poderá levar a novos desdobramentos judiciais. A operação permanece em andamento e deve evoluir conforme novas informações forem coletadas.
As autoridades afirmam que a mobilização busca reduzir a tensão nas áreas de conflito e garantir a segurança de populações rurais e indígenas, que vivem sob recorrentes episódios de violência motivados por disputas fundiárias. Ao unir diferentes forças de segurança, a operação sinaliza uma tentativa de resposta mais ampla e integrada aos desafios históricos da região. As diligências reforçam a presença estatal e pretendem inibir novas investidas armadas. O avanço das investigações poderá definir responsabilidades e esclarecer a motivação dos ataques. Com a continuidade das ações, o Estado procura restabelecer estabilidade em territórios onde a insegurança tem sido constante há anos.
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