
Prado: Forças policiais retomam áreas na Barra do Cahy após ocupação indígena
Operação com mais de 20 viaturas cumpre desocupação em fazenda e restaurantes; Pataxós denunciam violação em território declarado posse permanente.
As forças de segurança da Bahia realizaram, na tarde deste domingo (08), uma operação de desocupação em propriedades localizadas na Barra do Cahy, município de Prado, no Extremo Sul do estado. A ação, conduzida pela Polícia Militar por meio da Companhia de Ações Especiais em Mata Atlântica (CAEMA), envolveu mais de 20 viaturas que adentraram o território de autodemarcação na Fazenda do Rio do Cahy. O conflito ocorre em uma região de alta sensibilidade fundiária, onde o povo Pataxó reivindica direitos territoriais sobre áreas que foram alvo de ocupações durante a madrugada do mesmo dia.
A intervenção policial teve como focos centrais a Fazenda Cahy e as dependências dos restaurantes Manzukku e Glória, estabelecimentos que haviam sido ocupados horas antes. Segundo as autoridades de segurança, o objetivo da mobilização foi restabelecer a ordem pública e garantir a integridade das propriedades na região. A Barra do Cahy possui relevância turística e econômica estratégica para o município de Prado, e a presença dos ocupantes vinha gerando preocupação entre a população local e proprietários rurais. Com a chegada do contingente policial, a situação foi controlada e os imóveis foram retomados.
Por outro lado, o povo Pataxó classificou a movimentação policial como uma violação direta de seus direitos humanos e territoriais fundamentais. Lideranças indígenas argumentam que a Terra Indígena Comexatibá já foi oficialmente declarada como posse permanente da etnia em 17 de novembro de 2025, o que conferiria segurança jurídica à sua permanência na área. Para os indígenas, a entrada maciça de viaturas e o aparato de repressão configuram uma tentativa de ameaça e intimidação contra a comunidade, que busca a consolidação da autodemarcação de suas terras tradicionais.
As autoridades responsáveis pela operação informaram que o monitoramento e a fiscalização na Barra do Cahy continuarão de forma intensiva nos próximos dias para evitar novas tentativas de ocupação. O governo busca assegurar o que define como segurança jurídica e social na região, protegendo o fluxo turístico e as atividades comerciais locais. Entretanto, o clima permanece tenso, uma vez que o povo Pataxó sustenta que a área de autodemarcação é parte integrante de seu patrimônio histórico e legal, prometendo manter a vigilância sobre o território que consideram usurpado.
A desocupação deste domingo joga luz sobre o complexo impasse federativo e jurídico que envolve a demarcação de terras indígenas e o direito de propriedade no litoral baiano. Enquanto os proprietários e a comunidade local manifestam alívio com a intervenção das forças de segurança, as organizações indígenas denunciam o uso excessivo da força em áreas já reconhecidas oficialmente pelo Estado meses atrás. A resolução do conflito em Prado dependerá agora da mediação entre os órgãos federais de proteção ao índio e as instâncias de segurança do Estado da Bahia.
por redação noticia10
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