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Institucional - 16 horas ago

Projeto leva cacau agroflorestal a agricultoras no ES com 9 mil mudas e 15 unidades de beneficiamento

Iniciativa atende mulheres de Linhares, Rio Bananal e Colatina; sistema combina cultivo com banana e mandioca para gerar renda durante fase de formação da lavoura

Agricultoras familiares de Linhares, Rio Bananal e Colatina, no Espírito Santo, estão recebendo apoio para ampliar a produção de cacau em sistemas agroflorestais e melhorar a qualidade das amêndoas. O projeto “Mulheres do Cacau: tecnologia, autonomia e empoderamento feminino” é desenvolvido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) em parceria com a Fundagres Inovar e o Banco do Nordeste, por meio do Fundeci.

A iniciativa prevê a implantação de 15 unidades de observação de cacauicultura em sistema agroflorestal (SAF) nas propriedades participantes. Serão entregues 9 mil mudas clonais de cacau, selecionadas pelo potencial para produção de amêndoas de qualidade, com acompanhamento técnico para implantação e condução das lavouras. O modelo agroflorestal cultiva o cacau em consórcio com outras espécies agrícolas e florestais, diversificando a produção e contribuindo para conservação do solo, retenção de água e adaptação às mudanças climáticas.

O projeto também está implantando 15 unidades demonstrativas de beneficiamento, com estruturas para fermentação e secagem das amêndoas. Parte dessas unidades já está em operação. A melhoria na pós-colheita permite obter amêndoas de maior valor de mercado, matéria-prima valorizada pela indústria de chocolates finos e artesanais.

“Realizamos visitas técnicas para orientar as agricultoras na implantação dos sistemas agroflorestais e das unidades de beneficiamento. O acompanhamento busca adequar as tecnologias à realidade de cada propriedade”, explica a coordenadora do projeto, Juliana de Barros Valle. As unidades servirão como referência para outros produtores da região.

Ediana Strasmann, agricultora participante em Colatina, relata que sempre foi um sonho investir em amêndoas de qualidade. “Plantei banana junto com o cacau e consegui tirar um dinheirinho bom. Também plantei aipim. Enquanto o cacau cresce, as outras culturas já ajudam na renda.” Sobre a nova estufa de secagem, afirma: “Faça chuva ou faça sol, as amêndoas continuam secando. Antes a gente espalhava uma lona no terreiro.”

Além da assistência técnica, o projeto oferece capacitações sobre manejo das lavouras, colheita, pós-colheita, comercialização, marketing e produção de derivados do cacau e fitoterápicos. A filha de Ediana, de 14 anos, também se envolveu na atividade. “Ela também pegou amor pelo cacau”, conta a agricultora.

A primeira fase da iniciativa foi desenvolvida entre 2021 e 2023 pelo Incaper, em parceria com a Secretaria da Agricultura (Seag) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do ES (Fapes), por meio do programa Elas no Campo e na Pesca. Naquele período, agricultoras de Linhares, Colatina, São Roque do Canaã, Santa Teresa e Rio Bananal participaram das ações.

A fase atual dá continuidade ao trabalho, ampliando o acesso a tecnologias sustentáveis de cultivo e beneficiamento voltadas ao fortalecimento da participação feminina na cadeia produtiva do cacau. O Espírito Santo é um dos maiores produtores de cacau do Brasil, mas a atividade ainda é majoritariamente comandada por homens. Projetos como este buscam reverter a desigualdade de gênero no campo e garantir que as mulheres tenham autonomia sobre a renda gerada.

Os valores dos investimentos e o número total de agricultoras atendidas não foram divulgados pelo Incaper. A expectativa é que as unidades demonstrativas sirvam como modelo para difusão das tecnologias, mas não há prazo estimado para que os resultados de produtividade sejam consolidados e divulgados.
Por Redação Notícia10

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