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Bahia - 3 horas ago

Conservação em Abrolhos movimenta R$ 1,9 bilhão e sustenta 100 mil empregos na região

Estudo inédito do WWF-Brasil e ICMBio aponta que áreas protegidas respondem por 30% dos postos de trabalho gerados por pesca e turismo.

A economia gerada pela preservação ambiental na região dos Abrolhos, que abrange o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, movimentou R$ 1,9 bilhão em 2024. Um estudo conduzido pelo WWF-Brasil, em parceria com o ICMBio e o coletivo Abrolhos para Sempre, revela que atividades de pesca e turismo no território sustentam cerca de 100 mil empregos. Os dados evidenciam que as Unidades de Conservação (UCs) não cumprem apenas um papel ecológico, mas são ativos financeiros estratégicos, sendo responsáveis direta ou indiretamente por R$ 536,3 milhões da receita total da região.

Dentro do ecossistema produtivo baiano, o impacto das áreas protegidas revela-se, portanto, como um motor de renda para comunidades locais. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos registrou 16.912 visitantes no último ano, injetando quase R$ 7 milhões na economia regional. Ainda mais expressivo é o desempenho do Parque Municipal Recife de Fora, em Porto Seguro, que atraiu 73.650 turistas e movimentou mais de R$ 51 milhões, gerando 2.470 postos de trabalho.

Como se não bastasse o fluxo turístico, as Reservas Extrativistas (Resex) de Canavieiras, Corumbau e Cassurubá consolidam o protagonismo social do modelo de conservação. Juntas, essas reservas somam mais de 18 mil empregos e uma movimentação econômica de R$ 330 milhões. Esse cenário demonstra que a manutenção dos manguezais e recifes é o que garante a viabilidade das cadeias produtivas tradicionais.

A que pese a visão de que a preservação restringe o desenvolvimento, o levantamento mostra o contrário: o turismo consolidou-se como o principal pilar econômico, gerando R$ 611,5 milhões em renda direta. Por outro lado, a pesca artesanal mantém sua relevância social, com mais de 10,4 mil empregos diretos e uma receita de R$ 183,6 milhões. Vale ressaltar que o efeito multiplicador dessas atividades triplica o número de ocupações quando considerados os empregos indiretos, totalizando quase 97 mil vagas apenas nos dois setores.

Para Marina Corrêa, analista de Conservação do WWF-Brasil, proteger as áreas marinhas é uma estratégia econômica robusta. “O impacto vai muito além do que aparece inicialmente. Isso mostra que garantir a estabilidade para milhares de famílias depende da agenda ambiental”, afirma. João Carlos Pádua, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e autor do estudo, reforça que “a cada manguezal protegido, cresce a força econômica de setores como pesca e turismo”.

A Região dos Abrolhos, já reconhecida como Hope Spot pela organização Mission Blue por abrigar a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, aguarda agora possíveis avanços em sua candidatura a Patrimônio Mundial Natural da UNESCO. A certificação internacional poderá atrair novos investimentos e ampliar o fluxo turístico qualificado.

Trata-se, em última análise, de consolidar um modelo de desenvolvimento que utiliza a riqueza natural para gerar justiça social. O cenário atual indica que o fortalecimento das políticas de fiscalização e manejo das Unidades de Conservação é o caminho para assegurar que a marca de R$ 1,9 bilhão continue a crescer nos próximos anos, beneficiando diretamente as populações da costa leste brasileira.
Por Redação Notícia10

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