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Institucional - 23 horas ago

Crédito rural no ES atinge R$ 8,31 bi e cresce em ano de retração nacional

Agricultura familiar responde por 34% do total e avança 17,6%; custeio e investimento puxam alta no estado

O crédito rural contratado no Espírito Santo somou R$ 8,31 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, o maior valor da série histórica para o período. Foram realizados 43,3 mil financiamentos em todo o estado, abrangendo diferentes cadeias produtivas.

O desempenho capixaba contrasta com a média nacional. Enquanto o país registrou queda de 10,2% no valor contratado, o Espírito Santo cresceu 0,3% no mesmo período. O número de operações no estado também avançou 1,1%, o que indica ampliação da capilaridade do crédito entre pequenos e médios produtores.

O resultado está vinculado ao Plano de Crédito Rural para o Espírito Santo, lançado pelo governo estadual em articulação com a União e instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Banestes, Sicoob-ES, Sicredi, Cresol e Bandes. A construção do plano contou com entidades representativas de produtores rurais e pescadores, com foco no acesso ao crédito e na definição de atividades pesquisadas e prioritárias.

Por modalidade, os números mostram direções distintas. O custeio alcançou R$ 3,66 bilhões, um crescimento de 8,5%. O investimento somou R$ 3 bilhões, avanço de 11,9%, com 22.983 operações. Já a comercialização caiu 28,1% em valor, passando de R$ 2,16 bilhões para R$ 1,56 bilhão. A industrialização, por sua vez, cresceu 35,4%, chegando a R$ 96,49 milhões.

“O Espírito Santo manteve crescimento na aplicação de crédito rural em um cenário nacional de queda. O crescimento em custeio e investimento mostra que os produtores seguem buscando recursos para manter a produção, melhorar a estrutura das propriedades e ampliar a produtividade”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

O gerente de dados e análises da Secretaria da Agricultura (Seag), Danieltom Vandermas, complementou a leitura: “No Estado, o crescimento em custeio e investimento compensou parte da retração em comercialização e mostra que o financiamento segue direcionado à produção e à modernização das propriedades.”

O dado mais expressivo, no entanto, vem da agricultura familiar. O segmento contratou R$ 2,82 bilhões no período, uma alta de 17,6%, o que representa R$ 423,1 milhões adicionais destinados a esse público, que ocupa 75% das propriedades rurais capixabas. O número de operações passou de 30,4 mil para 32,6 mil, crescimento de 7,3%.

Com esses números, a agricultura familiar respondeu por aproximadamente 34% do valor total contratado no crédito rural capixaba e por 75,2% das operações. A participação evidencia o peso do pequeno produtor na estrutura agrária do estado.

Na agricultura familiar, o custeio avançou 25,1%, passando de R$ 879,71 milhões para R$ 1,10 bilhão, em um total de 13,6 mil contratos (alta de 14,9%). O investimento cresceu 13,3%, saltando de R$ 1,52 bilhão para R$ 1,72 bilhão, com 18,9 mil operações.

Bergoli destacou o avanço no segmento: “Na agricultura familiar, o avanço é ainda mais expressivo e reforça a importância desse público para a produção de alimentos, geração de renda e permanência das famílias no campo.”
Por Redação Notícia10

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