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Mundo - 2 dias ago

Papa leão ignora ofensiva de Donald Trump: “vamos continuar lutando contra as guerras”

Pontífice declara não ter medo do governo dos EUA após ser chamado de "fraco" e "nefasto" pelo presidente americano em redes sociais.

O Papa Leão XIV elevou o tom contra a Casa Branca nesta segunda-feira (13), ao declarar a jornalistas que não teme a administração de Donald Trump. O embate direto, sem precedentes recentes na diplomacia entre o Vaticano e Washington, ocorre após o presidente dos Estados Unidos atacar pessoalmente o Pontífice nas redes sociais, classificando-o como “fraco” e “nefasto” em política externa. A crise foi deflagrada pela postura crítica da Igreja Católica em relação à ofensiva militar americana no Irã e à intervenção na Venezuela, temas que Trump considera de competência exclusiva de seu mandato.

O confronto público atingiu o ápice no domingo, quando Trump utilizou sua plataforma, Truth Social, para descarregar meses de tensões acumuladas. O presidente questionou a legitimidade da eleição de Leão XIV — ocorrida em maio de 2025 — sugerindo que o cardeal americano Robert Prevost só foi escolhido para o trono de Pedro para “gerenciar” o relacionamento com a Casa Branca.

“Não quero um papa que acredite que é aceitável o Irã ter uma arma nuclear”, escreveu Trump, que também publicou uma imagem gerada por inteligência artificial onde aparecia como Jesus Cristo, postagem posteriormente removida. A investida ocorreu horas após a liderança episcopal dos EUA deslegitimar a guerra no Irã, utilizando o conceito teológico de “guerra justa” para condenar as ações de Washington.

A bordo do avião papal a caminho da Argélia, Leão XIV respondeu às provocações de forma direta. O Pontífice enfatizou que a missão da Igreja não é política, mas de “construção da paz”, e defendeu o multilateralismo como via para a solução de conflitos globais.

“Não tenho medo da administração Trump, nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho. Não somos políticos, não vemos a política externa da mesma perspectiva, mas como construtores da paz”, afirmou o Papa.

O cardeal Robert Prevost reforçou a posição institucional, declarando que a Igreja possui a “obrigação moral” de se opor a conflitos bélicos, citando que o Evangelho é claro sobre a preservação da vida.

A hostilidade declarada de Trump marca o fim de um período de trégua de um ano desde o início do pontificado de Leão XIV. O cenário atual retoma a resistência de setores da ultradireita americana que já haviam confrontado o Papa Francisco. No Vaticano, a principal preocupação reside na “distorção da mensagem cristã” por pregadores que apoiam a retórica nacionalista e bélica de Trump dentro do Salão Oval.
O Arcebispo Paul S. Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, manifestou-se “magoado” com as palavras depreciativas do presidente, sublinhando que o Papa não deve ser tratado como um rival político.

A Santa Sé mantém a vigilância sobre a manipulação política da fé religiosa, tema que já havia sido objeto de alerta do Papa aos bispos espanhóis em novembro passado. Com a confirmação da postura ativa de Leão XIV contra a guerra, analistas preveem uma aceleração das manobras conservadoras para desacreditar o Pontífice em solo americano, onde o peso de sua nacionalidade torna a disputa ainda mais sensível para a opinião pública interna.
Por Redação Notícia10

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