
Trump humilha Leão XIV, tenta deslegitimar autoridade do Papa e diz que ele só foi eleito para tentar conter sua força na Casa Branca
Presidente dos EUA utiliza rede social para questionar autonomia do Vaticano após pontífice cobrar cessar-fogo no Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou uma nova ofensiva retórica neste domingo (12) voltada a desidratar a autoridade moral de lideranças que divergem de sua linha política. O alvo da vez foi o Papa Leão XIV, classificado por Trump como “fraco” e “político” em publicações no Truth Social. A investida ocorre após o pontífice defender, durante a oração Regina Caeli, o cumprimento de uma “obrigação moral” na proteção de civis em zonas de guerra, como o Líbano e a Ucrânia. Ao atribuir a eleição do Papa a uma suposta conveniência da Igreja para lidar com a Casa Branca, o presidente norte-americano tenta transferir o debate religioso para um campo de lealdade política pessoal.
A postura de Trump reflete um padrão de comportamento observado em sua gestão em 2026: a tentativa de deslegitimar qualquer figura ou instituição que não se alinhe integralmente às suas ações. Historicamente, essa dinâmica cria um ambiente de polarização onde o mérito da questão — neste caso, a segurança internacional e a ajuda humanitária — é substituído pela desqualificação do interlocutor. A crítica ao Papa Leão XIV, o primeiro americano a ocupar o trono de Pedro, atinge o ápice ao sugerir que sua ascensão foi um “erro” da Igreja por não seguir a cartilha “MAGA”, ao contrário de seu irmão, Louis, citado nominalmente como o modelo preferencial do presidente.
A estratégia de Trump sugere uma lógica de aliança pragmática extremada, onde a validade de uma figura pública é medida exclusivamente pelo nível de concordância com o Executivo americano. No cenário diplomático, essa postura isola os Estados Unidos de mediadores tradicionais, como o Vaticano, que exerce influência sobre 1,3 bilhão de católicos. A narrativa de deslegitimação alcança até o simbólico: ao publicar uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece abençoando doentes sob ícones nacionais, Trump projeta uma imagem de messianismo político que ignora a separação entre Estado e religião, tentando substituir a liderança eclesiástica pela sua própria figura.
Trump foi direto ao sugerir que o Papa deve sua posição à política interna dos EUA: “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano. Ele deveria se recompor, usar o bom senso e parar de agradar a esquerda radical”. Enquanto isso, o Papa Leão XIV manteve o foco na crise humanitária que entra em sua sétima semana: “Peço um cessar-fogo. A atenção da comunidade internacional não pode vacilar diante dos efeitos atrozes da guerra”.
A tensão entre Washington e o Vaticano deve se intensificar durante a viagem de 10 dias do Papa à África, que começa nesta segunda-feira (13). O pontífice deve usar o périplo por quatro países para reforçar apelos por diálogo no Sudão e assistência ao continente africano, pautas frequentemente ignoradas pela retórica de Trump. Analistas políticos observam que, ao atacar o Papa, o presidente corre o risco de fragmentar sua base religiosa, mas consolida o núcleo mais radical de seus apoiadores, que prioriza a soberania das decisões presidenciais sobre qualquer recomendação de organismos internacionais ou líderes espirituais.
O episódio revela um governante que condiciona a legitimidade de terceiros ao apoio irrestrito às suas medidas. Na visão de Trump, o dissenso é interpretado como fraqueza ou traição política, não poupando sequer a cúpula da Igreja Católica. O cenário atual indica que, para a Casa Branca, o valor de qualquer autoridade — seja ela jurídica, científica ou religiosa — está estritamente atrelado à validação das ações do presidente, independentemente das consequências diplomáticas ou do histórico de atuação dessas instituições.
Por Redação Notícia10
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