
BA: Com a taxação Trump/Bolsonaro, usinas de etanol no Extremo Sul já recalculam rota, com possível retração
O sol bate forte nos canaviais do extremo sul da Bahia. Entre fileiras verdes que se perdem no horizonte, o trabalhador Henrique Salomão, 42 anos, calcula quantos meses ainda terá emprego. “Aqui boa parte da gente depende da cana. Se as usinas pararem, parte da região para junto”, diz, enquanto carrega facão e esperança em mãos calejadas. O golpe não veio da lavoura, mas da política. Com a taxação de 50% sobre o etanol brasileiro, imposta por Donald Trump e sustentada por Jair Bolsonaro em sua militância no congresso, o setor sucroalcooleiro começa a sofrer os impactos.
A tarifa transforma em quase inviável a exportação para os Estados Unidos — o segundo maior comprador do produto nacional, atrás apenas da Coreia do Sul. Na prática, o acréscimo de US$ 200 a US$ 250 por mil litros coloca o biocombustível brasileiro em desvantagem. E isso ocorre apesar de o etanol nacional ser reconhecido mundialmente como mais limpo e sustentável, já que utiliza o bagaço da cana para gerar energia e reduzir emissões de CO2, enquanto o norte-americano depende de fontes poluentes como o gás natural.
“É um contrassenso econômico e ambiental. O etanol brasileiro deveria ser premiado por sua sustentabilidade, mas está sendo punido por um jogo político que nada tem de técnico”, afirma Juliana Cerqueira, especialista em mercados de energia renovável.
A preocupação de Henrique é reflexo direto de uma decisão tomada a milhares de quilômetros dali. Donald Trump impôs um tarifaço de 50% sobre o etanol brasileiro, medida sustentada politicamente por Jair Bolsonaro. O resultado: o combustível verde do Brasil, considerado mais limpo e eficiente, começa a ter dificuldades no mercado americano. Um acréscimo de US$ 200 a US$ 250 por mil litros destrói a competitividade.
No entanto, a contradição é evidente. Os Estados Unidos são o segundo maior comprador de etanol do Brasil, atrás apenas da Coreia do Sul, e dependem do produto nacional para cumprir metas de redução de emissões de carbono. “É um contrassenso econômico e ambiental. O etanol brasileiro deveria ser valorizado pelo mundo, mas está sendo punido por um jogo político de ocasião”, Juliana Cerqueira.
O impacto direto se concentra no Extremo Sul da Bahia, onde a cana ocupa mais de 50 mil hectares plantados. Só a Usina Santa Maria, a maior do Nordeste, moeu mais de 2 milhões de toneladas de cana na última safra, gerando quase 2 bilhões de litros de etanol. Outras unidades, como a Bahia Etanol (Ibirapuã), Dasa (Serra dos Aimorés-MG) e Alcon (Conceição da Barra-ES), também operam em um raio de 70 km. O setor movimenta milhares de empregos diretos e indiretos, além de sustentar a economia local.
Mais do que números, a disputa revela um paradoxo global. Enquanto o etanol brasileiro utiliza o bagaço da cana para gerar sua própria energia — reduzindo drasticamente a emissão de CO₂ —, as usinas americanas dependem de gás natural e energia da rede elétrica, muito mais poluentes. O produto nacional tem valor agregado ambiental, mas enfrenta barreiras comerciais que ignoram a pauta climática.
Até o fechamento desta reportagem, parte dos dados permanecia em sigilo. Lideranças do agro ainda calculam os impactos reais da taxação de 50%, mas já admitem dificuldade significativa na produção, no emprego e na arrecadação da região. O tarifaço não é apenas um debate sobre porcentagens. Ele atravessa canaviais, chega ao bolso de trabalhadores, pressiona prefeitos de cidades dependentes da cadeia produtiva e ameaça programas sociais financiados pelos impostos do setor. No fim da linha, a crise deixa claro: quando política se sobrepõe à economia, quem paga a conta é o povo.
Nesse jogo político, porém, está prevalecendo o interesse de uma família e um ex político que busca não se sujeitar as leis brasileiras para os crimes que ele segue sendo acusado. Para não ser condenado, Bolsonaro segue movido por cálculos pessoais, arrastando com ele milhares de trabalhadores. O tarifaço não é apenas um debate sobre porcentagens. Ele atravessa canaviais, chega ao bolso de trabalhadores, pressiona prefeitos de cidades dependentes da cadeia produtiva e ameaça programas sociais financiados pelos impostos do setor. No fim da linha, a crise está deixando as coisas bem claras: Bolsonaro quer os seus problemas sobrepondo à economia, e o Extremo Sul da Bahia e o Brasil, pagando a conta.
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