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Bahia - 6 de março de 2026

Golpe no Orçamento: Ibirapuã vive escândalo de “canetada” da prefeita tentando anular o poder da Câmara

Vereador Bruno Leal aciona o Ministério Público e denuncia manobra na Lei Orçamentária para dar superpoderes à prefeita Carla Chácara à revelia da lei.

O que aconteceu nos bastidores da Prefeitura de Ibirapuã não é apenas um erro de digitação, mas um atentado direto à democracia e ao equilíbrio entre os poderes. O vereador Bruno Leal trouxe a público uma denúncia que promete paralisar o município: o texto da Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovado com rigor pelos vereadores, teria sido grosseiramente adulterado antes de ser publicado no Diário Oficial. A manobra, que o parlamentar classifica como uma “grave fraude legislativa”, dobrou a capacidade de remanejamento da prefeita Carla Chácara sem autorização legislativa, transformando um limite de 60% em um teto absoluto de 100%, o que na prática permite à gestão manipular todo o dinheiro público por simples decreto.

A análise técnica do documento revela um cenário perturbador: a vontade soberana do plenário foi substituída por uma “canetada” conveniente ao Executivo após o encerramento da votação. Bruno Leal expôs a ferida ao comparar o projeto votado com a publicação oficial, evidenciando que a alteração estrutural retira da Câmara Municipal sua principal função de fiscalizar e autorizar gastos. Para o vereador, este movimento não é um descuido administrativo, mas uma estratégia deliberada para esvaziar o Legislativo, especialmente em um cenário onde a prefeita já conta com uma base aliada robusta, mas que agora parece ter sido atropelada pela própria aliada na calada da noite.

Ao subir na tribuna, Bruno Leal não mediu palavras para descrever a gravidade do que chamou de “conteúdo falsificado” no Diário Oficial do município. Segundo o parlamentar, a diferença entre os percentuais não é apenas um detalhe numérico, mas uma mudança de regime na gestão do dinheiro dos cidadãos de Ibirapuã. “A Câmara aprovou 60%. O que foi publicado foi 100%. Isso significa alterar o conteúdo da lei depois que ela foi votada. É algo extremamente grave”, disparou Leal, sinalizando que a confiança institucional entre os poderes foi quebrada. O vereador enfatizou que a manobra cria um precedente perigoso, onde o Diário Oficial deixa de ser um espelho da lei para se tornar uma ferramenta de distorção política.

A decisão de levar o caso ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) fundamenta-se na convicção de que houve improbidade administrativa e violação do princípio da legalidade. Para o vereador denunciante, a correlação de forças favorável à prefeita dentro da Casa impede uma investigação isenta pelo próprio Legislativo, tornando o controle externo a única via para restaurar a ordem jurídica. “A prefeita possui maioria absoluta aqui na câmara de vereadores. Por isso vou encaminhar toda a documentação ao Ministério Público para que a situação seja investigada”, justificou Leal, apontando que o caso transcende a política local e entra na esfera criminal de falsificação de documentos públicos e usurpação de poder parlamentar.

O impacto para a prefeita Carla Chácara pode ser catastrófico, variando desde a anulação total da lei orçamentária até a perda definitiva do mandato por crime de responsabilidade. Especialistas consultados pela nossa reportagem reforçam a tese de Leal: o prefeito pode vetar ou sancionar, jamais editar o que foi decidido por quem tem o poder de legislar. Caso o MP-BA aceite a denúncia, Ibirapuã poderá enfrentar uma intervenção judicial nas suas contas, e a prefeita poderá ter seus direitos políticos suspensos, além de responder por uma ação de improbidade que pode retirá-la do cargo, expondo as entranhas de uma gestão que agora é acusada de jogar fora o respeito às leis básicas da administração.

Enquanto a poeira não baixa, Ibirapuã observa o que pode ser a maior crise ética de sua história recente, com o orçamento público transformado em peça de ficção pela caneta do Executivo. Bruno Leal sustenta que sua luta é pela honra do cargo que ocupa e pela proteção do bolso do contribuinte, que não pode ficar à mercê de decisões unilaterais e ocultas. “Não é uma briga entre vereadores e prefeitura. É uma questão de respeito à lei”, concluiu o parlamentar, enquanto a cidade aguarda, em silêncio ensurdecedor, um pronunciamento da prefeita que ainda não veio. O espaço do Notícia10 permanece aberto para que a gestão municipal explique como o número 60 virou 100 no caminho entre a Câmara e a gráfica oficial.
por redação noticia10

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