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Mundo - 3 horas ago

Irã reabre Estreito de Ormuz e preço do petróleo Brent recua 10%

A decisão, condicionada ao cessar-fogo no Líbano, libera a passagem de 20% do óleo mundial.

O governo do Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira, após um bloqueio de 45 dias que desestabilizou o mercado energético global. A medida ocorre no âmbito de negociações com os Estados Unidos e está atrelada à manutenção do cessar-fogo no Líbano. A resposta do mercado financeiro foi imediata: o barril de petróleo Brent registrou queda de 10%, atingindo US$ 90, enquanto índices de ações em Nova York e na Europa operam em alta. A normalização do fluxo na região é considerada vital para estancar a crise inflacionária global.

A que pese o anúncio oficial de reabertura, a normalização do suprimento não será instantânea. Durante o período de fechamento, a Agência Internacional de Energia (AIE) registrou uma queda histórica na produção de 10,1 milhões de barris por dia, o equivalente a 10% do consumo global. O represamento da oferta fez com que o Brent saltasse de US$ 70 para US$ 120 em março, uma valorização de 63% em apenas um mês.

Atualmente, cerca de 2.000 navios aguardam no Golfo Pérsico para retomar as rotas comerciais. Especialistas indicam que o dano infraestrutural nas linhas de produção e o engarrafamento logístico impedem que os preços retornem aos níveis de fevereiro (US$ 70) no curto prazo.

Não por acaso, as bolsas de valores reagiram com otimismo, antecipando a solução diplomática. O índice Ibex 35 e o S&P 500 operam próximos de recordes históricos, recuperando as perdas registradas desde o início das hostilidades. Sob a justificativa de que um acordo definitivo está próximo, o presidente dos EUA, Donald Trump, celebrou a medida em redes sociais, afirmando que o Irã fez “concessões-chave” e que está pronto para ratificar o encerramento do conflito.

Contudo, vozes no setor financeiro sugerem cautela. Andrew Chorlton, diretor de investimentos da M&G, afirmou à Reuters que a rapidez com que os mercados ignoraram os riscos energéticos parece “um pouco complacente”. Trata-se, antes, de um descompasso entre o otimismo dos investidores e o alerta de banqueiros centrais sobre os riscos residuais da crise.

O governo americano sinalizou que o acordo pode ser assinado em Islamabad, caso os termos finais sejam ratificados pelas partes. Cabe destacar que o fluxo de gás natural liquefeito (GNL), que também transita por Ormuz, é monitorado de perto por economias europeias e asiáticas, dependentes da estabilidade daquela rota.

No momento, o foco técnico se volta para a capacidade de escoamento do Estreito. O cenário revela-se, portanto, de alívio imediato na volatilidade, mas de recuperação lenta na cadeia produtiva global, que ainda lida com o déficit acumulado nas últimas seis semanas.
Por Redação Notícia10

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