Home Cotidiano Economia MG:Exportações do agro mineiro atingem US$ 18,1 bilhões e superam recorde histórico de 2024
Economia - 11 de dezembro de 2025

MG:Exportações do agro mineiro atingem US$ 18,1 bilhões e superam recorde histórico de 2024

Receita cresce quase 13% até novembro e consolida liderança do café, diversificação e avanço de novos nichos produtivos.

As exportações do agronegócio de Minas Gerais ultrapassaram, entre janeiro e novembro de 2025, todo o valor registrado em 2024, atingindo US$ 18,1 bilhões e estabelecendo um novo recorde na série histórica iniciada em 1997. O desempenho foi alcançado mesmo com redução de 6,6% no volume embarcado, que somou 15,3 milhões de toneladas no período. Ao todo, 643 produtos agropecuários mineiros chegaram a 177 países, reforçando a relevância econômica do setor no estado e sua participação crescente no comércio exterior brasileiro.

A expansão da receita ocorre após um ano marcado por oscilações no mercado internacional, especialmente em commodities sensíveis a variações de preço. Ainda assim, o setor mineiro conseguiu converter um cenário global desafiador em um ciclo positivo, impulsionado pela valorização de produtos estratégicos, como o café. A comparação com 2024 mostra que o estado ampliou em quase US$ 1 bilhão sua receita, o que demonstra a capacidade de adaptação da cadeia produtiva e o fortalecimento de seu posicionamento em mercados diversificados. Para o governo estadual, esse movimento confirma a maturidade operacional e estratégica do agronegócio mineiro.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, destaca que o crescimento da receita mesmo com queda no volume exportado reflete a eficiência do setor diante das mudanças externas. “Apesar da ligeira queda no volume, o setor conseguiu capitalizar a valorização dos preços no mercado internacional, especialmente em relação ao café, transformando desafios em retorno financeiro. O agro já representa quase 44% de tudo que é exportado pelo estado”, afirmou. A análise do secretário aponta para a consolidação de uma matriz produtiva mais robusta, capaz de manter competitividade mesmo com flutuações na demanda global.

O café segue como principal destaque da pauta exportadora, impulsionado pela alta significativa no preço médio internacional, que passou de US$ 4.212 para US$ 6.807 por tonelada. A valorização compensou a redução de 12,5% no volume embarcado e elevou a receita do produto a US$ 10,16 bilhões, crescimento de 41%. Já a soja registrou US$ 2,8 bilhões com o embarque de quase 7 milhões de toneladas, mas sentiu os efeitos da demanda global mais moderada e da queda nos preços. O setor sucroalcooleiro, por sua vez, alcançou US$ 1,8 bilhão em receita, mas apresentou retração tanto no valor (-22,5%) quanto na quantidade (-13,7%).

O ano também marcou um movimento de diversificação da pauta exportadora, com crescimento expressivo de nichos de maior valor agregado. Produtos como ovos e derivados registraram expansão de 150%, enquanto frutas avançaram 75% e alimentos diversos cresceram 55%. O mel natural também obteve resultado positivo, com aumento de 31%. Segundo o secretário Thales Fernandes, mesmo que representem menor volume absoluto, esses nichos ampliam a presença de Minas Gerais em mercados mais especializados. Para ele, “isso é fundamental na construção de uma pauta mais diversa e capaz de gerar valor mesmo em cenários globais desafiadores”.

O setor de carnes — que inclui bovina, suína e de frango — registrou receita de US$ 1,7 bilhão, alta de 7% frente ao mesmo período de 2024, sustentado por preços favoráveis e aumento da demanda, especialmente de carne bovina. O volume exportado alcançou 463 mil toneladas no período. Já os produtos florestais, como celulose, madeira e papel, totalizaram US$ 916 milhões em receita, com retração de 11,6%; apesar disso, o volume embarcado cresceu 1,9%, atingindo 1,5 milhão de toneladas. Os dados reforçam a heterogeneidade do desempenho entre cadeias e evidenciam os diferentes impactos do mercado global sobre cada segmento.

Os resultados obtidos até novembro indicam que o agronegócio mineiro deve encerrar 2025 consolidado como um dos pilares da economia estadual e com presença ampliada no comércio exterior. O avanço da receita, a liderança histórica do café e o fortalecimento de nichos emergentes mostram que o setor mantém capacidade de adaptação e competitividade mesmo em cenários adversos. A continuidade da diversificação, aliada ao desempenho consistente de segmentos tradicionais, tende a reforçar a relevância de Minas Gerais no agronegócio brasileiro e aprofundar sua integração com mercados internacionais nos próximos ciclos.
Noticia10

Check Also

Ministério Público e Mucuri firmam acordo para implementar projeto de segurança municipal

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e a Prefeitura de Mucuri formalizaram, nest…