
São Mateus: Casa construída de cabeça para baixo vira ponto turístico em Guriri e atrai milhares de visitantes
Morador ergue imóvel invertido após recomendação médica e transforma invenção em atração popular desde 2017.
Uma casa construída de cabeça para baixo na Ilha de Guriri, em São Mateus, no norte do Espírito Santo, tem atraído a atenção de turistas desde 2017 e se consolidado como uma das curiosidades arquitetônicas mais visitadas da região. A obra, idealizada e executada pelo pedreiro aposentado Valdivino Miguel da Silva, levou três anos para ser concluída e rapidamente se tornou ponto turístico, registrando até mil visitas em um único dia. A construção foge totalmente dos padrões convencionais, mas sua história de origem explica por que o imóvel ganhou tanto interesse público.
A residência, ao contrário do trecho da música de Vinicius de Moraes que brinca com uma casa “sem teto e sem nada”, possui todas as características de um imóvel tradicional. O diferencial está justamente no modo como Valdivino decidiu construí-la: inteira de cabeça para baixo. A ideia surgiu após uma orientação médica para que o aposentado fizesse caminhadas diárias devido à hipertensão. A frase “a casa caiu”, dita em tom de brincadeira durante a consulta, acabou se transformando na inspiração para o projeto que contrariaria todas as regras da engenharia civil tradicional.
Valdivino relata que tentou seguir a recomendação médica, mas desistiu após cinco dias. Para não ficar parado, decidiu iniciar a construção ao lado de sua residência oficial. “Eu disse para minha esposa: a casa caiu”, relembrou. A reação inicial da família foi de estranhamento. “Minha esposa ligou para minha filha e disse: ‘Seu pai não está precisando de cardiologista não. Está precisando é de um psiquiatra’”, contou. Com o passar do tempo, porém, a “loucura”, como ele próprio descreve, foi abraçada pela esposa, que também participou do processo de erguer o imóvel, então avaliado em cerca de R$ 50 mil.
Embora a aparência externa já desperte curiosidade, muitos visitantes se surpreendem ao descobrir que o interior também segue a lógica invertida. A casa possui dois andares com cozinha, sala, banheiros e dois quartos, todos decorados com móveis fixados de cabeça para baixo, incluindo camas, mesa, fogão, eletrodomésticos, brinquedos infantis e até a casinha do cachorro. A proposta visual reforça a sensação de ilusão ótica e de quebra de expectativa, o que ampliou ainda mais o interesse de moradores e turistas que frequentam a ilha, especialmente nos períodos de maior movimentação no litoral capixaba.
Desde sua abertura informal ao público, a casa de cabeça para baixo se tornou um atrativo consolidado, impulsionando a visibilidade turística de Guriri e criando um fluxo próprio de visitantes. A popularidade do local demonstra como iniciativas individuais podem gerar impacto cultural e econômico para pequenas regiões, ainda que não façam parte de projetos oficiais de turismo. O imóvel continua sendo mantido pelo casal, que recebe os visitantes ao lado da residência em que vivem, reforçando a dimensão familiar da iniciativa.
A história da casa invertida mostra como uma ideia nascida de um episódio cotidiano acabou transformando o cotidiano turístico de Guriri. A construção, que começou como uma solução criativa para manter o pedreiro em atividade, tornou-se destaque regional pela originalidade, pelas histórias envolvidas e pela curiosidade que provoca em quem passa pela ilha. Seu impacto ultrapassa o caráter inusitado: o imóvel tornou-se parte do imaginário local e segue atraindo visitantes que buscam experiências diferentes no litoral do Espírito Santo.
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