
São Mateus: Município decreta situação de emergência por causa de sal no Rio Cricaré
“A água no ponto de captação do SAAE, no bairro Porto, superou o limite de 250 mg/L de cloreto de sódio.” O dado, apontado por estudo do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (CEUNES/UFES), foi o estopim para que a Prefeitura de São Mateus decretasse Situação de Emergência em todo o município nesta quarta-feira (8 de outubro de 2025). O motivo é o avanço da chamada cunha salina no Rio Cricaré, comprometendo o abastecimento público.
A medida não é burocrática; ela reflete um problema grave e imediato, sentido no cotidiano da cidade: a baixa vazão do rio e a intrusão de água salgada estão elevando a salinidade a níveis que ultrapassam o padrão de potabilidade estabelecido pelo Ministério da Saúde. Na prática, a captação de água precisará ser paralisada, especialmente nos períodos de maré alta, elevando o risco de desabastecimento geral.
Para enfrentar o problema, o Decreto nº 18.193/2025 mobiliza todos os órgãos municipais e cria um Comitê de Gestão da Crise Hídrica, que inclui representantes da Defesa Civil, SAAE e até do CEUNES/UFES.
A ação mais sentida pela população é a proibição de usos não essenciais de água da rede pública. Isso significa que, a partir de agora, lavar carro, calçada ou fachada com mangueira, irrigar jardins ou gramados, ou umedecer vias públicas está vetado. A prioridade é absoluta: consumo humano, preparo de alimentos e higiene pessoal.
Além disso, a lei autoriza a Defesa Civil a usar bens particulares em casos de extrema necessidade para proteger a população, garantindo indenização posterior. Para a resposta ser rápida, também ficam dispensadas licitações para aquisição de bens e serviços diretamente ligados à emergência, desde que os contratos não ultrapassem 180 dias.
A resposta da Prefeitura é urgente, mas especialistas apontam para a necessidade de um olhar de longo prazo. “A crise da água salinizada é um sintoma complexo. Não é apenas uma questão de maré ou falta de chuva,” explica a bióloga e consultora em gestão de recursos hídricos, Patrícia Neves, que acompanha a Bacia do Cricaré. “O uso intensivo da água na agricultura e as alterações na paisagem da bacia potencializam a vulnerabilidade do rio. A proibição do uso não essencial é crucial agora, mas a solução definitiva passa por planejamento de uso em toda a região e por ações que garantam o volume mínimo do rio, mesmo em períodos de seca.”
O Comitê de Gestão da Crise Hídrica tem a missão de integrar decisões técnicas e operacionais e deverá ser o canal de comunicação para a população, que agora entra em modo de economia forçada. A mobilização imediata é um reconhecimento da gravidade da situação em São Mateus. O decreto tenta mitigar o dano, mas aponta para uma reflexão maior: o sucesso de amanhã na gestão de água depende das decisões estruturais tomadas hoje, para além do estado de emergência.
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