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Economia - 3 dias ago

Suzano amplia aposta em fibra curta após disrupções de oferta na Ásia

Com restrições operacionais na Indonésia e adiamento de projetos, unidade de Mucuri atinge produção recorde de celulose de eucalipto.

A Suzano (SUZB3) direciona sua estratégia para a celulose de fibra curta (BHKP) no primeiro trimestre de 2026, aproveitando um cenário de oferta global restrita e demanda aquecida na China. Enquanto o Itaú BBA mantém cautela sobre o setor de recursos naturais, a companhia registra eficiência operacional na unidade de Mucuri (BA), onde a produção superou 1,7 milhão de toneladas. O mercado enfrenta um descolamento entre a fibra curta, extraída do eucalipto, e a fibra longa (BSKP), que sofre pressão pela baixa demanda chinesa. A conjuntura de curto prazo favorece o modelo de baixo custo de produção adotado nas plantas brasileiras frente aos concorrentes internacionais.

A divergência entre os tipos de celulose tornou-se o fator central para o setor de papel e celulose no início deste ano. A fibra longa, proveniente de árvores como o pinus, possui maior resistência física, porém apresenta custos elevados e sofre com a desaceleração industrial em mercados específicos. Em contrapartida, a fibra curta, baseada no eucalipto, destaca-se pelo rápido crescimento florestal e menor custo de extração. Dados operacionais da Suzano indicam que a planta de Mucuri opera como um complexo integrado, convertendo a celulose em papéis de imprimir, escrever e produtos sanitários (tissue), o que amplia a margem de valor agregado.

A dinâmica do setor de celulose impacta diretamente a balança comercial brasileira e a estabilidade econômica de regiões dependentes da silvicultura. A escassez de oferta na Indonésia, motivada por questões florestais e paradas operacionais, resultou na perda de 150 mil toneladas de celulose apenas no primeiro trimestre de 2026. Esse cenário projeta uma redução de até 600 mil toneladas ao longo do ano, o que sustenta o preço do produto brasileiro no mercado externo. Para a comunidade e o mercado de capitais, a manutenção da eficiência em plantas como a da Bahia assegura a resiliência dos dividendos e a manutenção de empregos em uma cadeia produtiva globalizada.

A oferta global deve permanecer limitada no curto prazo devido ao adiamento do projeto OKI, cujo início foi postergado de abril de 2026 para o final do ano ou início de 2027. A Suzano confirmou que não prevê a entrada de novos grandes projetos de celulose para papel no mercado durante o restante deste exercício. Pelo lado do consumo, a indústria de papel na China demonstrou fôlego entre janeiro e março, absorvendo o mercado apertado de BHKP, apesar da sazonalidade negativa do Ano Novo Chinês em fevereiro. A manutenção desse apetite asiático é o que definirá a viabilidade de novos reajustes de preços nos próximos meses.

O mercado de celulose inicia 2026 sob uma assimetria entre as variedades de fibra, com a produção brasileira de eucalipto ocupando o espaço deixado pelas disrupções asiáticas. A alta eficiência da unidade de Mucuri e a ausência de novos competidores no horizonte imediato consolidam a posição da Suzano em um cenário de preços resilientes. O equilíbrio do setor agora depende da capacidade de absorção do mercado chinês frente aos custos logísticos e à estabilidade das operações na Indonésia.
Por Redação Notícia10

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